Publicado 16 de Outubro de 2014 - 5h00

Uma doença desconhecida que atingiu 18 pessoas vem intrigando moradores de Itapira, cidade localizada na região de Mogi Mirim. Os casos surgiram no dia 4 de outubro, quando 12 pessoas procuraram dois hospitais da cidade relatando sintomas como edema de língua, paralisia facial, taquicardia, sudorese, contraturas musculares e, em alguns casos, hipertensão arterial.

 

Sem diagnóstico definido, a Secretaria de Saúde do município acionou o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para investigar a origem do problema.

 

Os pacientes foram medicados em hospitais municipais e liberados em seguida. Apenas duas vítimas ficaram internadas durante dois dias, mas passam bem. Os pacientes moram nos bairros Prados, Vila Boa Esperança, Jardim Magali, Dela Rocha e os bairros do Machadinho e Macucos, na zona rural da cidade.

 

O assunto virou tema em muitas rodas de conversa na cidade. Além da curiosidade sobre a doença misteriosa, os moradores querem saber se há risco para a população. “A gente fica preocupado porque não sabe o que é”, comenta o aposentado Antônio Moreira.

 

A Vigilância Epidemiológica informou que não encontrou correlação entre água ou alimentos ingeridos pelo grupo. Sem ter ideia da doença que acometeu 12 pessoas num único dia, o assunto foi discutido com o CCI, que teria descartado a hipótese de intoxicação por fator externo.

 

Segundo relatório da Secretaria de Saúde, a avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial dos pacientes descartou também uma doença infecciosa. Técnicos da Vigilância colheram amostras de água na residência de pacientes e encaminharam para o CCI.

 

Foram colhidas ainda amostras de sangue e urina de alguns pacientes para análise. Segundo a assessoria de imprensa da Unicamp, as amostras de água chegaram ontem ao CCI. Os testes serão conduzidos no Instituto de Química, em um equipamento chamado cromatógrafo, específico para análise de água. Os resultados devem sair em uma semana.

 

Análise preliminar da água, feita pelo Laboratório de Referência da Diretoria Regional de Saúde, não revelou anormalidades na amostra.

 

Enquanto o diagnóstico não é fechado, os moradores da cidade se questionam sobre o surto. O temor é ainda maior entre os moradores da região do bairro dos Prados, onde moram algumas pessoas que contraíram a doença. “Lá estão bastante assustados porque não se sabe o que é ou como a doença é transmitida”, afirmou Cássia Oliveira.