Publicado 15 de Outubro de 2014 - 23h04

Por Maria Teresa Costa

Moradores do Santo Antônio tem que apelar para o uso de baldes devido à falta d'água

Carlos Sousa Ramos/ AAN

Moradores do Santo Antônio tem que apelar para o uso de baldes devido à falta d'água

Pelo menos 220 mil pessoas em 110 bairros, o equivalente a 20% da população de Campinas, estão sendo afetadas pela falta de água desde a noite de sexta-feira (10), situação que deve se manter até a próxima sexta (17), quando chegará na área de captação de água uma ajuda extra de Jundiaí, que mais uma vez interrompeu a transposição de 1,2m3/s do Atibaia para o Rio Jundiaí-Mirim.

 

É a terceira vez neste mês que aquela cidade socorre Campinas. Essa água é essencial para aumentar a vazão e ajudar na diluição dos poluentes.

A ajuda do Sistema Cantareira, de mais 0,5m3/s, que começou a ser liberada na terça-feira, só chegará em uma semana.

 

Ontem, o prefeito Jonas Donizette (PSB) disse que solicitou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) a liberação de mais 0,5m3/s para o Rio Atibaia, reiterando o pedido inicial, que era de 1m3/s.

 

A qualidade ruim da água, com alta concentração de poluentes, impede o tratamento e, por isso, estão ocorrendo as interrupções na captação.

 

Na quarta-feira (15), a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) reduziu ainda mais a captação, pelo agravamento da poluição do rio.

 

A empresa captou 2,7m3/s, que consegue atender 68% da necessidade, uma vez que houve aumento de consumo, em decorrência do calor. Essa situação irá melhorar com a ajuda garantida de Jundiaí, afirmou Jonas.

Segundo a empresa, a interrupção no fornecimento atingiu um número menor de bairros ontem do que vinha ocorrendo desde a noite de sexta-feira.

 

Pela manhã, parte do Jardim Eulina, parte do Profilurb e a região do Jardim Santo Antônio ficaram sem água, mas moradores de Sousas, Chapadão, Vila União, Vila Nova, Padre Anchieta, Santa Odila, Guarani e Santa Lúcia também relataram falta de água.

 

A Sanasa admite que há ainda bairros na região do Campo Grande com dificuldades de abastecimento, mas nega que haja locais em que o desabastecimento tenha durado mais de 12 horas.

O Rio Atibaia registrou uma vazão média de 3,2m3/s, mas no final da tarde o volume baixou mais, chegando a 2,8m3/s no ponto de monitoramento de Valinhos, onde está a rede telemétrica do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee). A água praticamente não circula no rio. 

Transtornos

A falta de água já está levando à suspensão de aulas em Campinas. A Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Amapat, no Parque Tropical, tem ficado sem abastecimento na parte da tarde a semana toda. Segundo o vigilante Itamar Cardoso, de 50 anos, crianças de até seis anos frequentam a unidade. “Precisam usar banheiro, bebedouros, e não podem.”

A costureira Lourdes Fagundes Siqueira, do Jardim Santa Lúcia, disse que a falta de água se tornou um transtorno para os moradores, porque não são avisados previamente e não têm como se preparar.

 

“Da mangueira só sai um filete de água. Na segunda-feira não recebemos nada”, disse.

 

A comerciante Zilda Oliveira, da Vila União, disse que o bairro está sem água há dois dias e na semana passada não teve abastecimento nem sexta e nem domingo. “Tive que comprar copos descartáveis para servir os clientes, porque não há água para lavar os de vidro. Tem gente comprando água engarrafada para beber.”

Manobra

Para garantir que a população das áreas mais altas da cidade consiga receber água pelo menos em um período do dia, a Sanasa iniciou uma operação para alternar o enchimentos dos reservatórios enterrados e elevados.

 

O diretor técnico da empresa, Marcos Antônio dos Santos, explicou que o rodízio de reservatórios é medida emergencial, que começou a ser adotada para suprir as situações mais críticas, que vinham submetendo moradores a mais de um dia sem água.

Campinas tem 25 reservatórios elevados e 40 semienterrado que somam uma capacidade de armazenamento de 123,4m3, volume capaz de garantir o abastecimento da cidade por oito horas.

 

Emergencialmente, para que os reservatórios elevados consigam receber água, a Sanasa está fechando a entrada nos semienterrados, de forma a garantir pressão para chegar nos pontos mais altos. Quando os elevados estão cheios, são fechados, para permitir o enchimento dos semienterrados.

 

“Assim, a gente garante que pelo menos em uma parte do dia, todos consigam receber água”, afirmou.

Colaborou Milene Moreto/ AAN

 

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