Publicado 14 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Bruno Bacchetti

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Edu Fortes/AAN

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Apesar de a população de Campinas ter aprovado a criação dos distritos de Ouro Verde e Campo Grande em plebiscito realizado no último dia 5, muitos moradores que habitam a divisa entre os futuros distritos sequer sabem a qual região pertencerão.

 

Segundo o Decreto Legislativo aprovado em 2011 para amparar a realização do plebiscito, a divisão territorial entre os dois distritos será definida pelo curso do Rio Capivari. Já o limite entre os distritos com Campinas será a Rodovia dos Bandeirantes.

 

“Não sabia que era o rio que diferenciava os distritos, o pessoal não explicou direito. Sou nascido e criado aqui e votei favorável porque na minha opinião se ganhasse o ‘não’ tudo continuaria na mesma. Precisamos de muita coisa, como Corpo de Bombeiros e base da Guarda Municipal”, afirmou o comerciante Alex Sandro Souza, de 34 anos, morador do bairro Recanto do Sol II, futuro distrito do Ouro Verde.

 

O porteiro Paulo Roberto Oliveira, de 56 anos, mora no Residencial Sirius, área localizada no distrito do Campo Grande, não sabia a qual distrito seu endereço pertencia. Ele reclama da falta de informação para a população a respeito do plebiscito, por isso diz que votou contrário. “Não sabia não, estou sabendo agora que você falou (a qual distrito pertence). Ninguém informa, a gente ficou sem nenhum conhecimento. Por isso votei contra, não vai resolver nada isso”, criticou.

 

Para a representante comercial Karen Fraianella, de 31 anos, que mora no Campo Grande e observa o Ouro Verde da janela de sua casa, também diz que faltou informação sobre os benefícios que a população terá com a criação dos distritos. “Não foi claro, faltou explicação. Eu gostaria que desse certo, mas tenho dúvidas.”

Compasso de espera

A Prefeitura chegou a iniciar no ano passado um estudo para definir as diretrizes necessárias para a instalação das subprefeituras do Ouro Verde e Campo Grande, mas interrompeu o trabalho logo em seguida. O estudo foi iniciado para se adiantar à consulta popular, mas de acordo com o secretário de Administração, Silvio Bernardin, foi suspenso até que o resultado do plebiscito fosse definido.

“Na verdade optamos em esperar a decisão da população através do plebiscito. Era incoerente fazer um estudo, porque se a decisão da população fosse pela não instalação dos distritos poderia contrariar o desejo popular escolhido através do voto. Isso não trará nenhum prejuízo”, explicou Bernardin.

Segundo Bernardin, a paralisação não irá trazer nenhum prejuízo para a implantação dos dois distritos, que será colocado em prática assim que os trâmites burocráticos foram superados. A Prefeitura aguarda o projeto da Câmara Municipal para instalar as estruturas dos distritos. O Legislativo, por sua vez, espera a oficialização do resultado do plebiscito pela Justiça Eleitoral para protocolar o projeto criando os distritos. Não há um prazo para isso. “Aprovado o projeto pela Câmara vamos instalar as estruturas mínimas que ainda estamos definindo, como a sede, remanejar alguns funcionários e rever alguns contratos. Há possibilidade de utilizar o espaço da Administração Regional (AR) para a subprefeitura, mas isso não está definido”, disse o secretário.

Os gastos para a instalação das subprefeituras sairão da Secretaria de Serviços Públicos, e a Prefeitura disse que inicialmente não serão criados mais cargos públicos. A exceção é o subprefeito, que será escolhido pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) sem a participação dos moradores. “A população escolheu o prefeito para que ele faça esse tipo de escolha”, justificou Bernardin.

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Bruno Bacchetti