Publicado 14 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Rogério Verzignasse

Exemplares que serão doados para os visitantes são separados na ACL

Janaina Ribeiro/ Especial para AAN

Exemplares que serão doados para os visitantes são separados na ACL

A Academia Campinense de Letras (ACL), fundada há 58 anos, sempre foi reduto de literatos, artistas, jornalistas, pensadores. Gente experiente — a maioria de cabelos brancos — se reúne em sessões regulares para debater cultura e conhecimento.Mas o cenário promete ser diferente nesta terça-feira (14).

 

Durante toda a manhã, o auditório, a sala de reuniões e a galeria de arte estarão tomadas por 48 alunos de uma escola municipal de Ensino Fundamental.

 

O evento é totalmente financiado por empresas privadas da cidade, que assumem os gastos como o transporte e alimentação.

 

A direção da academia está entusiasmada; a sociedade civil se envolve em uma antigo projeto da casa: trazer gente jovem para as reuniões. 

A visita agendada da EMEF Humberto de Alencar Castelo Branco, do Jardim Nova Europa, tem programação pronta.

 

As crianças serão divididas em três turmas, que vão se alternando pelos espaços onde acontecem as atividades.

 

Os estudantes vão aprender quem são e o que fazem os acadêmicos. Também vão participar de rodas de contação de histórias e de visitas a exposições. Depois do lanche, a turma vai voltar para casa levando livros infantis de presente.

O presidente da casa, o advogado Agostinho Toffoli Tavolaro, conta que as visitas à academia foram planejadas há anos, com o objetivo de despertar nos pequenos o interesse pela leitura. O projeto também sempre teve o propósito de apresentar a ACL aos mais jovens.

 

“A gente quis mostrar que existia esse lugar especial, que Campinas estava cheia de talentos”, fala. “O drama é que nunca tivemos dinheiro em caixa. As visitas esporádicas sempre foram bancadas pelos próprios acadêmicos, ou por amigos da casa.”

Mas, neste ano, o evento ganha corpo. A Viação Princesa D’Oeste disponibilizou ônibus para trazer e levar as crianças, em horários agendados. O Mc Donald’s vai fornecer o lanche.

 

A Gráfica Convites Premium produziu os crachás em cores diversas para distinguir equipes, além de cadernos para que a garotada anote suas impressões.

 

Do grupo teatral Galhofas & Drama chega uma atriz trajada como Branca de Neve para monitorar o encontro. E a Fundação Educar D. Paschoal garante os livros infantis que serão distribuídos no final.

Voluntários também participam do evento. A acadêmica Regina Márcia Moura Tavares, por exemplo, vai doar a cada criança um exemplar de um livro seu, editado pela Pontes em 2004, que descreve brincadeiras de rua como patrimônios culturais da humanidade, uma obra premiada.

 

Na outra sala, a recepção fica por conta de cidadãos que nem são acadêmicos. A curadora Marly Straccieri e as pintoras Célia Paulino e Eufrásia de Andrade se ofereceram para dicas rápidas sobre pintura em tela.

Para Tavolaro, os dirigentes da rede pública aproveitam a chance de envolver as crianças em atividades extra-classe de cunho cultural.

 

“A participação da sociedade civil vai incentivar, cada vez mais, a visita de escolas e outras instituições ao espaço. Estamos muito contentes”, falou.

Fundação 

A Academia Campinense de Letras (ACL) foi fundada no dia 17 de maio de 1956, por iniciativa de Francisco Ribeiro Sampaio, então secretário municipal de Cultura e professor na PUC-Campinas.

 

A ideia era reunir os mais destacados nomes da intelectualidade campineira, que passaram a ocupar as 40 cadeiras vitalícias. O prédio foi inaugurado em 1976, no governo de Lauro Péricles Gonçalves.

 

A concepção arquitetônica obedeceu os princípios da ordem dórica, comuns nos templos gregos.

 

A fachada, decorada com a imponente imagem da fênix, possui seis colunas sulcadas com caneluras (estrias). A escadaria de acesso é de granito e o piso do hall de entrada de mármore.

 

A construção teve a prevalência das disposições clássicas, com vestíbulo (“pronaus”), e centro do culto (“nau”).

SAIBA MAIS

A sede da Academia Campinense de Letras fica na Rua Marechal Deodoro, 625, região central de Campinas.

 

As pessoas ou instituições interessadas em marcar visitas ao espaço podem entrar em contato com a secretária Marilu Vendemiatto pelo telefone (19) 3231-2854, ou pelo e-mail [email protected] 

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Rogério Verzignasse