Publicado 09 de Setembro de 2014 - 19h53

Por Milene

Candidato ao governo do Estado de São Paulo pela primeira vez, confira a entrevista de Gilberto Natalini (PV)

O PV é um partido auxiliar do governador Geraldo Alckmin nesta disputa?

Sem candidatura própria o partido não vai ao governo nunca. As ideias do Partido Verde são genuínas e únicas no cenário político brasileiro. Não existe um outro partido que tenha nossas propostas do ponto de vista do desenvolvimento sustentável. Nós estamos na campanha e não somos linha auxiliar de ninguém. Quem disser isso está pregando uma mentira para o povo. Nossas propostas são avançadas, futurísticas.

As ideias do PV, o senhor disse que são inovadoras. Mas o partido aceita integrar alianças com legendas que não pactuam do mesmo pensamento. Não é uma incoerência?

Olha, o PV participa de governos. Essa dualidade PT e PSDB já deu o que tinha que dar. É nociva para o País. E no meio tem o PMDB. Nós chamamos de G-3. São três partidos que transformaram a política brasileira em muita lambança. É muito ruim ver isso para quem tem vergonha na cara. Mas nós temos que reconhecer a realidade. Eles estão no poder. Os governantes desses partidos que permitem que haja uma agenda ambiental positiva, o PV participa.

Nós tivemos o problema da estiagem. O governo recebeu críticas por não decretar racionamento o que os fez rios sofreram um grande impacto ambiental. Qual foi o papel do PV?

O PV compôs o governo Alckmin de 2011 para cá. Ao entrar no governo, o partido levou uma série de propostas dizendo que a crise era grave e séria. Tinha um projeto que já era um esboço e que estava na gaveta. O projeto da macrometrópole que envolve as regiões de Campinas, Sorocaba, São Paulo, Santos e Vale do Paraíba. O projeto prevê as obras de captação e construção de reservatórios. Essa obra que está sendo feita para trazer água do São Lourenço para abastecer a grande São Paulo foi o PV que colocou em andamento. Nós do PV falamos isso há 20 anos. Os governos não acreditam nas mudanças climáticas. O PV no governo fez o que tinha que fazer.

Então o governador ignorou as propostas do PV?

Não é que ele ignorou. Ele aceitou em partes. Quem é secretário não é governo. A decisão é do mandatário. O secretário faz a proposta. Se não fosse a ação do PV, a situação poderia ser muito pior. O racionamento é uma decisão técnica difícil. Na hora que você interrompe a água no caso causa danos.

Nós temos alguns problemas na região de Campinas que se repetem em todo o Estado. A política de Segurança Pública é um deles. Qual a proposta do partido para este setor?

Nós temos dois extremos. O primeiro é a leveza com que o crime organizado trabalha no Estado. Não sei se a falta de envolvimento do governo é medo ou competência. Tem cabimento o sujeito que é chefe de uma facção criminosa comandar seu grupo com um celular? Isso é uma afronta. Precisa bater pesado para desarticular o crime organizado. A outra ponta é investir muito na área social. Oferecer alguma coisa para juventude que não seja ficar na mão do criminoso, além da valorização da polícia.

O senhor deu exemplo de transportes inteligentes. Nós tivemos na região projetos para o setor. Um deles foi o trem-bala. O outro o trem metropolitano. Até agora nenhum saiu do papel.

O trem-bala foi um sonho de uma noite de verão da dona Dilma. Gastou R$ 1 bilhão para fazer um projeto. Uma coisa mentirosa para o povo brasileiro. O Brasil ainda não tem condições de fazer esse trem. Isso foi uma mentira. Não tem um dormente do projeto e não vai ter. Agora, o trem de São Paulo para Campinas é possível. Se o PV chegar ao governo, vamos no primeiro dia começar a trabalhar nisso. Trem para Campinas, Sorocaba e ABC.

O governo do Estado consegue bancar sozinho esses projetos?

Se o governador quiser, ele faz. É uma decisão política. O dinheiro você busca. Até fora do Brasil. Ah! Mas as montadoras vão falir. Não vão. É só transformar o maquinário. Em vez de produzir carro, produz trem. Eles vão ganhar dinheiro. O desenvolvimento sustentável não leva ninguém a falência. O trem é a saída. Depois disso os ônibus, os elétricos, por exemplo. Existe saída. É só o governo acreditar nos problemas ambientais.

Se Alckmin sair eleito, o PV fecha com ele ou num eventual segundo turno?

Existe em São Paulo um sentimento anti-PT enorme. O paulista não quer o PT. Quem pode garantir que não haja vitória do PT aqui quem é? É o governador que está aí. Mesmo que tenha críticas a ele. Tenho respeito por ele. É um homem digno. Agora, o governo dele é um governo cansado. Não tem muito mais a oferecer. Ele vai naquela batida e não consegue mais fazer propostas revolucionárias. Não avança. Cada dia é um dia. Depois vamos discutir o que fazer. A questão da adesão depende da abertura que derem as ideias e propostas do PV.

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