Publicado 09 de Setembro de 2014 - 13h48

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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As obras para a implantação da nova Avenida Francisco Glicério começarão em janeiro, com a previsão de estarem concluídas no final de 2015, informou ontem o secretário de Desenvolvimento Econômico e Social, Samuel Rossilho. A principal avenida da cidade terá um conjunto de regras para a despoluição visual, toda a fiação será enterrada, a calçada do lado esquerdo ganhará dois metros e com isso a rua vai perder uma faixa de trânsito que hoje é usada para estacionamento. O custo de implantação, que deve ser divulgado amanhã, será bancado por recursos privados que virão de um pool de empresas e de verbas de compensações firmadas em termos de ajuste de conduta para regularização de empreendimentos com a Prefeitura.

Rossilho disse que a Administração conseguiu fechar um acordo com as concessionárias de serviços que utilizam a Glicério para que cada uma arque com os custos das obras. A CPFL Energia assumirá a iluminação, as empresas de telefonia (são cerca de 20) assumirão o custo do enterramento dos fios, a Comgás fará as adequações necessárias na rede de gás, enquanto a Informática dos Municípios Associados (IMA) adequará a rede digital e a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) ficará com os custos das mudanças nas redes de água e esgoto

A Prefeitura arcará com os custos da implantação da nova calçada – que será em concreto com desenhos de andorinhas feitos em mosaico português – e da rede de águas pluviais. “As verbas para isso virão de TACs que firmaremos até o final do ano com empresas que estão regularizando empreendimentos na cidade. Não vamos usar compensações já definidas para outras áreas. Vamos usar novos TACs”, afirmou Rossilho.

O uso de compensações por obras aprovadas em projetos de interesse da Prefeitura já está ocorrendo em Campinas, financiamento os projetos estrutural e eletromecânico da reforma do Centro de Convivência Cultural – nesse caso, as empresas Rossi e Cristais Prados estão utilizando os recursos definidos em compensações para contratar os projetos.

O projeto de revitalização do Centro propõe uma requalificação dessa região, com preferência ao pedestre com mais acessibilidade. Assim, todo o mobiliário urbano, que será renovado, será instalado na calçada ampliada do lado esquerdo da Avenida Francisco Glicério e as estações de embarque no transporte coletivo ficarão a direita.

A avenida vai ganhar um paisagismo, com árvores e floreiras que funcionará também como ordenador do espaço, além de iluminação e segurança mais eficientes, limpeza das fachadas e respeito ao patrimônio histórico e valorização da arte urbana

O comércio instalado na avenida irá arcar apenas com os custos das ligações de água, luz, telefonia da rede subterrânea aos estabelecimentos. O projeto de revitalização do Centro, elaborado pela arquiteta Maria Rita Amoroso, foi doado à Prefeitura pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). As intervenções na Glicério ocorrerão no trecho entre as avenidas Orosimbo Maia e Aquidabã e funcionarão como um piloto de um projeto maior que irá abranger, no futuro, toda o Centro Histórico.

Depois da Glicério, a Avenida Campos Salles passará por intervenções, seguindo o mesmo modelo de calçamento, de publicidade e de enterramento da fiação. O modelo de financiamento das obras, disse o secretário, irá evitar a necessidade de licitação e garantir a implantação total do projeto. A Administração quer evitar o que ocorreu há quatro anos na Campos Salles, cuja remodelação das calçadas ficou comprometida porque não teve a adesão do comércio. A mudança do piso ficou pela metade. A reformulação deveria ocorrer em parceria com o consórcio Urbcamp e os comerciantes. O consórcio faria a remodelação dos pontos de ônibus, com novos abrigos, piso podotátil, rampas acessíveis, nova comunicação visual e os comerciantes fariam a remodelação das calçadas da Campos Salles e Francisco Glicério, dividindo os custos entre eles. Mas não deu certo, porque alguns comerciantes não quiseram dividir os custos. Assim, a remodelação ocorreu apenas nos pontos de ônibus.

RETRANCA 1

O prefeito Jonas Donizette (PSB) vai enviar para a Câmara dois projetos de lei para o Centro Histórico. Um irá definir o padrão de publicidade que terá que ser adotado pelo comércio, inicialmente na Avenida Francisco Glicério. Outro irá conceder incentivos fiscais para que empresas de tecnologia se instalem no Centro. Empresas do setor de software, disse o presidente da Informática dos Municípios Associados (IMA), Fábio Pagani, tem muito interesse em ir para o Centro, desde que haja incentivo, não apenas tributário, mas também de infraestrurura para tornar o Centro um dos polos de alta tecnologia da cidade.

Pagani foi fundador do Núcleo Softex Campinas e chegou a fazer uma pesquisa, na época que atuava na entidade, para ver a interesse do setor na área central. “Há empresas interessadas se o poder público agir como indutor. Campinas tem cerca de 200 empresas de software, cujo faturamento vem crescendo em média 30% ao ano. Várias delas já estão no Centro e outras irão se houver uma política e uma definição de tornar essa região polo de tecnologia da informação (TI).

Pagani lembra que o poder aquisitivo do pessoal da área de TI é alto, e por isso mesmo mais exigente, o que levaria a uma requalificação da região, puxando uma demanda por bons restaurantes, por atividades culturais e traria mais vida às noites. “Pessoal de TI trabalha até muito tarde”, disse.

RETRANCA 2

O estreitamento da Avenida Francisco Glicério em dois metros, para possibilitar a ampliação de calçadas, preocupa o engenheiro Roberto Baldin Simionato, membro do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) e conselheiro da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campinas (AEAC). Segundo ele, para permitir que os pedestres desfrutem de mais espaço para andar no passeio não é preciso tirar uma faixa da Glicério. “Bsta remover as bancas que obstruem as calçadas, prejudicam os comerciantes que tem a frente dos estabelecimento ofuscadas por elas”, afirmou.

Para ele, o mais grave é o estreitamente da avenida, que é a mais larga de Campinas. “Tirar veículos do Centro afasta mais ainda as pessoas, pois frequento diariamente essa região, e a convivência é muito boa entre nós pedestres e os veículos”, afirmou. Para o engenheiro, as bancas deveriam ser enquadradas de maneira harmônica nas praças para não atrapalhar o pedestre.

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Maria Teresa Costa