Publicado 09 de Setembro de 2014 - 16h09

Rio, Eu Te Amo é composto de dez histórias, contatas por dez diretores diferentes, que seguem diversas regras da franquia do produtor francês Emmanuel Bennihy, que em 2006 lançou Paris, Eu Te Amo e, em 2009, Nova York, Eu Te Amo. Cada enredo precisou ser filmado em dois dias, ter apenas dois personagens principais e durar sete minutos. Apesar de todos os segmentos terem tramas independentes, elas se cruzam de alguma forma, missão que coube ao cineasta Vicente Amorim (Corações Sujos).

“O processo começou muito tempo antes de a gente filmar, com os produtores e realizadores da franquia para saber o que tinha e o que não tinha funcionado nos outros longas. E, a partir daí, a missão foi criar da melhor forma possível aquela sensação de unidade e fluidez ao longo do filme, principalmente porque tudo foi feito por visões muitos diferentes do Rio de Janeiro”, explica. Para isso, ele precisou conhecer todos os personagens dos outros diretores para criar uma interação desses personagens com as figuras que só existem nas transições. No caso, os principais são uma professora de inglês vivida por Cláudia Abreu e um taxista interpretado por Michel Melamed.

Outra regra da franquia é que o filme tenha artistas de projeção internacional. E Rio, Eu Te Amo, para se ter uma ideia, conta com cinco nomes indicados ao Oscar, como, além de Arriaga, Fernando Meirelles (Cidade de Deus), Paolo Sorrentino (A Grande Beleza), Harvey Keitel (Bugsy) e Fernanda Montenegro (Central do Brasil). Considerada a melhor atriz do Brasil, Fernanda vive uma moradora de rua que cansou do sistema do País e decidiu dar um jeito "libertário de viver a vida", como definiu Andrucha Waddington, o diretor da obra. Inspirado em uma figura lendária do Leblon, o cineasta disse que demorou quatro meses para definir qual história contaria. “Eu não tinha a menor ideia do que fazer, até que lembrei dessa história que me contaram há uns 10 anos num bar e que, na época, já tinha ficado com vontade de fazer um longa. As histórias escolhem a gente, e essa ficou na minha cabeça e nunca virou um roteiro, até agora. A gente pesquisou mais de 100 moradores de rua e muitos diziam que não queriam voltar para casa. A rua tem uma magia sobre quem passa a morar nela e me fez constatar que aquela história não era absurda", afirmou.

O segmento de Andrucha, que tem como ponto alto um emocionante banho de Fernanda em um chafariz, está entre os melhores de Rio, Eu Te Amo, ao lado de O Milagre, de Nadine Labaki, e Texas, de Arriaga. O curta do diretor mexicano mostra a vida de um ex-lutador de boxe (Land Vieira) e de sua namorada (Laura Neiva), uma modelo que ficou paralítica após um acidente de carro provocado pelo lutador, que também perdeu um braço na tragédia. O enredo, aparentemente exagerado, foi transportado à telona de forma muito delicada e sustentado exclusivamente nas emoções e trocas de olhares dos protagonistas, deixando o drama poderoso. Laura, por exemplo não tem nenhuma fala no curta. “Eu queria ter feito uma comédia, mas eu tenho essa obsessão por amputação. Aliás, o Land não é um ator profissional. Se fosse, teria cortado o braço de verdade para fazer o filme”, brincou o simpático cineasta em um português quase fluente.

Já O Milagre cativa pela comédia ao mostrar um menino de seis anos à espera de uma ligação de Jesus. O curta, que conta com a própria Nadine no elenco, além do ator Harvey Keitel, é o episódio mais perdido do longa, mas muito bem feito isoladamente graças, principalmente, ao desempenho de pequeno ator mirim Cauê Antunes. Ele, que entrega diálogos espontâneos e rápidos, foi a primeira criança vista por Nadine mas, por ser jovem demais, foi descartado num primeiro momento. “Nós ficamos seis meses procurando alguma criança maior, de oito, nove anos, que pudesse interpretar um menino de seis. Como teríamos que gravar em apenas dois dias, a gente não podia se dar ao luxo de tentar e, caso não desse certo, trocar. Mesmo assim, voltamos para o Cauê porque ele era exatamente o que eu tinha em mente para o papel. Mas posso afirmar que milagre foi o filme ter saído, porque esse rapazinho aqui (e aponta para o menino) não parava 30 segundos no mesmo lugar”, confessa a diretora.

Retorno

Rio, Eu Te Amo, que teve um custo de R$ 20 milhões e demorou sete meses para ser rodado, mais do que mostrar pequenas histórias na capital fluminense, é um investimento para a cidade, como informou Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e diretor-presidente da RioFilme, produtora ligada à Prefeitra do Rio. “Esse projeto sempre nos interessou do ponto de vista artístico e cultural, mas também econômico. É mais do que um filme, é uma produção ambiciosa, tanto que vamos exportá-la para muitos países dos cinco continentes”, disse. Só a RioFilme investiu R$ 2 milhões em Rio, Eu Te Amo.

As inúmeras cenas explorando o potencial turístico do Rio deixam claro o que o secretário quis dizer. O curta de Fernando Meirelles, por exemplo, mostra o ator francês Vicent Cassel como um escultor de areia que apresenta seu trabalho em Copacabana, exibindo repetitivamente a famosa calçada da praia mais famosa do Brasil.

Já em Acho Que Estou Apaixonado, de Stephan Elliott, o cartão-postal da vez é o Pão de Açúcar. Na história, o personagem de Marcelo Serrado precisa acompanhar um ator australiano (vivido por Ryan Kwanten, o Jason de True Blood) durante um evento no Rio, mas o astro decide abandonar tudo ao dar de cara com a bela paisagem formada pelo morro. Diante de tanta beleza, os dois decidem escalar o Pão de Açúcar e, no meio do caminho, se apaixonam. “Acho que estou me especializando em gays”, brincou Serrado, completando que este “será o último da minha carreira.” (Fábio Trindade/Da Agência Anhanguera)

Saiba Mais

As próximas cidades homenageadas pela franquia Cities of Love serão Xangai e Jerusalém, mas ainda não há previsão de lançamento.