Publicado 08 de Setembro de 2014 - 21h25

Por Inaê Miranda

FOTOS: Edu Fortes

Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

Sem uma rede capaz de atender à demanda de pacientes em Campinas, o plano de saúde Assimédica entrou em colapso. Os usuários reclamam da falta de médicos, de clínicas, de hospitais e até de laboratórios para realização de exames. Os problemas se agravaram após o descredenciamento da Casa de Saúde, em julho, e do fechamento do Centro Clínico há uma semana. Com tantos problemas, um total de 32.694 consumidores correm risco de ficar na mão. A própria operadora admite problemas na rede, mas disse que tenta saná-los. Ministério Público, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Conselho Regional de Medicina de São Paulo já começaram a adotar medidas contra a operadora.

A sede do plano de saúde, ontem, estava lotada de beneficiários registrando reclamações ou tentando fazer a portabilidade do plano, como é o caso da assistente social Rosemary Gimenes, de 50 anos. “Não tem médico. O Centro Clínico fechou. Não estão fazendo exames e não tem hospital atendendo. Com tudo isso ainda tem coragem de aplicar reajuste de um plano que nem está funcionando”, resumiu. Até para pedir a portabilidade do plano ela está enfrentando dificuldade. “Estou aqui pela terceira vez”, disse. Com a falta de médico e urgência de atendimento, Cirene Alves de Lima, de 55 anos, precisou pagar por um médico. “Vim pegar o reembolso”, disse.

Dados da ANS apontam a operadora como a terceira em reclamações no País. No Procon Campinas, a Assimédica é campeã de reclamações. Nos últimos nove dias foram registradas 31 queixas. O número de pacientes na porta da Assimédica era tão grande, que a operadora fechou os portões com pelo menos duas horas de antecedência.

Ao Correio, o departamento jurídico da Assimédica admitiu que está com um problema em sua rede de atendimento há três meses, mas que em uma semana espera colocar o projeto de recuperação em andamento. Informou que a crise foi agravada por problemas internos e pelo descredenciamento da Casa de Saúde, considerado o hospital de referência, em três dias, não havendo tempo hábil para realocar os pacientes. “Isso agravou muito a situação e desde então estamos tentando restabelecer a rede”, informou a advogada, que não quis se identificar. Sobre o fechamento do Centro Clínico, na semana passada, ela informou que ocorreu pela evasão de beneficiários, ou “redução da carteira”.

O número de médicos e da rede credenciada não foi informado. Sobre a assistência aos pacientes, a Assimédica informou que aqueles que não conseguirem atendimento pela operadora, receberão o reembolso, desde que apresentem a documentação no prazo estipulado. Os pacientes reclamam do descaso. “A sensação é de impotência porque a gente não tem para onde ir, nem o que fazer. A angústia é grande e estou me sentindo perdida”, disse Rosemary.

Retranca: Providências

A Agência Nacional de Saúde Sumplementar informou que “está ciente da grave situação” de atendimento da Assimédica em Campinas e tem tomado as providências cabíveis, como a suspensão da comercialização de planos de saúde a novos consumidores. Neste momento, a operadora encontra-se sob monitoramento econômico-financeiro na Agência. É apurada a existência de desequilíbrios que podem estar comprometendo a capacidade da operadora de honrar seus compromissos com a rede prestadora de serviços e também com a assistência aos seus beneficiários. A ANS informou que fiscais do órgão estiveram ontem na operadora para fazer uma diligência e levantar informações para análise.

De acordo com o diretor do Procon-Campinas, Ricardo Chiminazzo, a Assimédica já foi cobrada em maio e, com o aumento de reclamações, foi novamente acionada. Até o momento, segundo Chiminazzo, não apresentou um posicionamento. Caso não haja uma resposta ainda esta semana, a operadora poderá ser multada. Em reunião com a ANS, agendada para esta semana, o Procon irá propor, no âmbito coletivo, a portabilidade especial dos usuários. Chiminazzo informou ainda que os beneficiários podem pedir individualmente a portabilidade e caso não consigam devem acionar o órgão de defesa do consumidor. O Ministério Público também está acompanhando o caso, mas, procurado ontem, não respondeu a reportagem.

O Ministério Público está atuando no caso, mas, procurado ontem, não houve um retorno. De acordo com Sílvia Helena Rondina Mateus, diretora tesoureira do conselho Regional de Medicina de São Paulo, o colapso da Assimédica está sendo acompanhado pela entidade com o objetivo de evitar desassistência aos usuários e porque muitos médicos credenciados estão sem receber. “O descredenciamento da Casa de Saúde, Instituto Radium, de médicos do Pronto Socorro do Hospital Irmãos Penteado pediram descredenciamento por falta de pagamento”.

Serviço:

Caso o consumidor não consiga realizar o atendimento com os profissionais credenciados pelo plano no prazo máximo previsto ou tenha negadas coberturas previstas em contrato, deverá fazer a denúncia à ANS por meio de um dos canais de atendimento: Disque ANS (0800 701 9656), Central de Relacionamento portal da Agência (www.ans.gov.br ). No Procon Campinas, as reclamações podem ser feitas em uma de suas unidades. No Centro, está localizada no Poupatempo, na Avenida Francisco Glicério, 935.

Escrito por:

Inaê Miranda