Publicado 08 de Setembro de 2014 - 18h44

Luciana Félix

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Zanotto

Uma testemunha confirmou ontem à Justiça de Paulínia ter recebido dinheiro em troca de voto durante audiência do caso que apura pagamento de proprina nas eleições de 2012 no município. O prefeito Edson Moura Jr (PMDB), seu pai e ex-prefeito, Edson Moura (PMDB) e o atual vice, Francisco Bonavita Barros (PTB), são suspeitos de doarem quantias a populares em troca de voto nos chamados arrastões nos bairros. A testemunha, que é protegida pela Justiça, disse ter ganho R$ 150, pouco antes da votação. Segundo a promotoria, os valores variavam e podiam chegar até R$ 500.

Ao todo sete testemunhas foram intimadas, porém uma só compareceu. O depoimento que durou cerca de 40 minutos será anexado ao processo junto com um vídeo que mostra o ex-prefeito atendendo em um quarto da casa de um cabo eleitoral sete pessoas. Para todas ele, supostamente, entrega quantias em dinheiro. Segundo o promotor do caso Henrique Simon, o vídeo é verídico. “Esse vídeo foi analisado por um perito oficial nominado pelo juizado. Ele constatou a autenticidade das imagens que não teve edição. E o depoimento dessas testemunhas corroboradas pelo vídeo, nos levam a crer, que realmente ocorreu o ato ilícito”, afirmou.

O promotor afirmou que outras testemunhas foram ouvidas e todas afirmaram que receberam representantes dos acusados em suas casas. “Eles se apresentavam e ofereciam dinheiro a elas, para que votasse na chapa do prefeito”.

Uma delas afirmou que em um dos “arrastões” de compra de votos, teria se aproximado de Edson Moura e dito que passava por dificuldades financeiras. Ele teria entregue dinheiro e dito que “contava com o apoio dela”. Outra testemunha contou que o candidato entrou na lavanderia da casa dela, questionando o que estaria precisando. O ex-prefeito teria colocado R$ 400,00 no bolso do casaco dela e “pedido uma força” para a candidatura.

A testemunha de ontem contou que foi abordada ao chegar próximo ao local de votação. “Ela recebeu a proposta no dia da eleição, pouco antes de entrar na escola para votar. Ela pegou o dinheiro e votou. Isso é crime”, destacou.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) à Justiça Eleitoral logo após as eleições municipais de 2012 junto com o vídeo do susposto pagamento de propina. Além do vídeo a promotoria acusa os três de fazerem os “arrastões” para a venda de votos em bairros antes do pleito eleitoral.

A promotoria pede a suspensão dos direitos políticos dos acusados por oito anos e também, a perda do mandato dos suspeitos. “Eles também sofrem outras ações na Justiça por abuso de campanha em meios de comunicação, por fraude na indicação do filho na véspera da eleição”, lembrou o promotor.

A juiza do caso é Marta Brandão Pistelli.