Publicado 08 de Setembro de 2014 - 17h43

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

Fotos: Gustavo Tilio

Os candidatos a deputado estadual e federal da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão investindo pesado para cativar o eleitor. De acordo com a segunda prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os postulantes a um cargo público da região gastaram R$ 10,9 milhões desde o início da campanha, em julho. A maioria das despesas foi realizada com material de campanha, como cavaletes, placas, faixas, santinhos e pagamento de cabos eleitorais. O valor das receitas arrecadadas pelos candidatos é semelhante às despesas e totaliza R$ 10,5 milhões. O montante tem origem em doações de pessoas físicas, jurídicas e dos próprios partidos e coligações.

Segundo o especialista em Marketing Político João Miras, o sistema eleitoral do País obriga o candidato a fazer gastos elevados, uma vez que é preciso fazer campanha em todo o Estado. Por isso, ele defende uma reforma política e a adoção do voto distrital misto, que aproximaria o candidato do seu eleitor. “Precisamos fazer uma reforma política e adotar o voto distrital misto para qualificar as eleições. Estamos vivendo um momento singular na política e estou vendo candidatos com dificuldade para obter recursos e apostando nas redes sociais”, analisa Miras. O especialista acredita, no entanto, que o valor investido pelos candidatos deve ser maior que o declarado.

O recordista de gastos entre os candidatos da região é Gustavo Petta (PC do B), postulante a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ele desembolsou R$ 1,324 milhão, a maior parte com pagamento de funcionários que trabalham na campanha, material impresso e combustível dos veículos utilizados para divulgar o nome do candidato. Os gastos de comunista são mais de quatro vezes superiores ao arrecadado por ele (R$ 383,7 mil). Na sequência as maiores despesas declaradas são do deputado federal e candidato a reeleição Paulo Freire (PR), com gastos de R$ 1,276 milhão, e do candidato a deputado estadual Angelo Perugini (PT), que já desembolsou R$ 853,5 mil.

Contrastando com os gastos milionários, alguns candidatos fazem campanha modesta e informaram ao TSE gastos irrisórios. Dois exemplos são os candidatos a deputado estadual Marcelo Jorge (PV) e Roberta Merlo (PV), cujas despesas somaram apenas R$ 48,10 e R$ 210, respectivamente. Outros 35 postulantes da RMC entregaram a segunda parcial de prestação de contas sem lançamentos de despesas.

Para Miras, o poder econômico é decisivo para um candidato sair vitorioso nas eleições. Em um partido grande, ele calcula ser necessário investimento de aproximadamente R$ 400 mil para um candidato a deputado estadual ser eleito. "Do jeito que está o poderia econômico é decisivo. Calculo ser necessário gastar de R$ a R$ 10 por voto. Um partido como o PMDB, por exemplo, será necessário 70 mil votos para ser eleito, o que corresponde a pelo menos R$ 350 mil", explica.

De acordo com a Lei das Eleições, a prestação de contas final deve ser entregue até o dia 4 de novembro, 30 dias após as eleições. A norma também prevê que a ausência de prestação de contas parcial caracteriza grave omissão de informação, que poderá repercutir na regularidade das contas finais.

Escrito por:

Bruno Bacchetti