Publicado 08 de Setembro de 2014 - 17h16

Por Sarah Brito Moretto

Foto: César

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi classificada como a quinta melhor do País na terceira edição do Ranking Universitário Folha (RUF), divulgado ontem na Folha de São Paulo. A análise alia indicadores objetivos, como volume de publicações científicas de cada universidade, à opiniçao dos profissionais envolvidos no ensino superior. O Instituto Datafolha ouviu 611 professores universitários que avaliam cursos para o Ministério da Educação e 1.970 por recursos humanos. A avaliação ocorre desde 2012. Apesar da crise e da greve dos funcionários - que começou em maio, a Unicamp conseguiu manter a posição alcançada nos últimos dois anos.

São 192 universidades brasileiras classificadas, levando indicadores de pesquisa, inovação, internacionalização, ensino e mercado. A Unicamp ficou atrás da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Entre os cursos escolhidos como os melhores da Unicamp estão Engenharia de Controle e Automação, Farmácia e Matemática.

Os indicadores que consideram a opinião do mercado de trabalho e a qualidade de ensino foram unificados e passam a compor uma lista só, em vez de duas. Esse resultado sintetiza aspectos importantes para um curso, como a inserção no mercado, qualidade do ensino e aproximação com a pesquisa, por meio de indicadores como a proporção de docentes com doutorado ou mestrado.

Outra alteração foi o aumento do número de cursos de graduação avaliados, de 30 para 40 com o maior número de ingressantes no país. A amostra abrange 93% de todos os calouros no ensino superior em 2012. Nessa avaliação de cursos de graduação, a USP foi a escola que mais obteve primeiros lugares (20), seguida das federais de Minas Gerais (7) e do Rio (5) e da Unicamp (3).

Os alunos Guilherme Tavares de Silva, de 22 anos, e Karina de Albuquerque Tagliari, também de 22 anos, estudam na Faculdade de Matemática da Unicamp, avaliada como um dos melhores cursos. A experiência para ambos é diferente. Guilherme faz bacharelado e está no 8º semestre, enquanto Karina faz licenciatura e completa o 3º ano de estudos. “A pesquisa é muito forte. Desde o primeiro ano somos incentivados a fazer Iniciação Científica. Esse ponto é importante. Outra coisa é que nos últimos dois anos, temos matérias da pós-graduação, o que também incentiva a continuar estudando”, contou Guilherme

Já Karina sente que a faculdade proporciona conhecimento de matemática para ensino, com práticas pedagógicas. “É puxado. Mas não adianta saber fazer, e não sabe passar adiante a informação. Não sei ainda o que quero seguir, mas tenho vontade de dar aula”, disse. Para ela, a faculdade prepara tanto para o mercado quanto para a área da pesquisa.

A aluna Mariana Mazetto, de 23 anos, faz Engenharia de Controle e Automação, e também acredita que o curso prepara para os dois caminhos. Ela está no 4º ano e disse que a Faculdade possui infraestrutura e biblioteca com os exemplares necessários para o estudo. “Está tudo ao nosso alcance. Também temos atividades extracurriculares, como competições de robótica e automotiva. Isso é muito legal”, disse.

A faculdade de Farmácia, também avaliada como uma das melhores na Unicamp, foi criada em março deste ano. Apesar de recente e ainda não possuir prédio próprio – divide as instalações com a Faculdade de Ciências Médicas e Biologia – é elogiada pelos alunos. “Conseguimos ser a melhor sendo que a Faculdade é nova. Imagina se tivesse uma estrutura maior, o quanto seria relevante no Brasil. Teríamos mesmo uma identidade”, afirmou a estudante Louise Trendisi, de 22 anos.

Para a organizadora do RUF, Sabine Righetti, a importância do ranking é o caráter consultivo que ele se torna. “Temos começado a mapear o impacto. Temos recebido feedback de alunos e de pais, mas também percebemos que dirigentes de ensino superior tem se norteado pelo RUF”, disse. Sabine afirma que as instituições têm procurado cada vez mais se autoavaliar. O trabalho para elaborar o Ranking leva 8 meses, e envolve diversos departamentos, entre eles redação e tecnologia de informação.

A Universidade foi procurada para comentar o posicionamento no ranking e os métodos utilizados, mas não disponibilizou docentes ou membros da reitoria para entrevista ontem durante o dia.

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Sarah Brito Moretto