Publicado 08 de Setembro de 2014 - 15h30

Por Rogério Verzignasse

Fotos: a gente precisa usar imagens de arquivo, de gargalos do trânsito |(john boyd, prestes maia...)

a matéria também cita rótula, traçado do vlt

professor do ponto de vista:foto gravada no hermes pelo gustavo. Procure como muzetti

Trânsito ||| Soluções

USP fará novo plano viário para Campinas

Convênio com Prefeitura vai traçar diretrizes de mobilidade urbana para os próximos 25 anos

Projeto vai

seguir adequações do

Plano Diretor

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a Universidade de São Paulo (USP) devem firmar, ainda neste mês, um convênio que prevê a elaboração de um novo plano viário para o Município. O contrato prevê a criação de um modelo de mobilidade urbana útil para os próximos 25 anos. Não se pensa, em um primeiro momento, em investimentos milionários ou grandes intervenções físicas, como a construção de novas avenidas e viadutos. Se pretende aliviar os gargalos de trânsito priorizando o transporte público.

O projeto, afirma o secretário, precisa levar em consideração o novo Plano Diretor do município. As diretrizes do sistema de transportes serão tomadas a partir dos índices de ocupação urbana previstos para cada trecho da cidade.

Não existe, ainda, previsão de custos para o convênio, nem se sabe quando o documento será assinado, de fato. É certo, no entanto, que os estudos serão feitos, ao londo de dez meses, por especialistas da Fundação de Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), vinculada à Escola Politécnica. E que o grupo será comandando por um especialista em trânsito que já ocupou cargo estratrégico na Prefeitura de São Paulo.

De acordo com Carlos José Barreiro, secretário municipal de Transportes e presidente da Emdec, não existe a pretensão de se construir viadutos ou alargar avenidas. O objetivo é explorar alternativas como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o ônibus rápido (BTR, na sigla em inglês) , que já integram os planos públicos para o setor. “A partir da ligação básica proposta entre o Centro com o Aeroporto Internacional de Viracopos, vamos elaborar as linhas interligadas de todas as modalidades de transporte.”

O secretário admite que, desde os anos 70, Campinas não tem intervenções viárias significativas. A última, disse, foi a construção da Via Expressa Aquidabã. Barreiro não poupa de críticas nem ao Projeto Rótula, criado em Campinas em 1996, para ordenar o fluxo de veículos em vias estranguladas. Depois de 18 anos, considera, o projeto está saturado. E o Corredor Central, que inclui as avenidas Moraes Salles, Irmã Serafina, Anchieta, Orosimbo Maia e Senador Saraiva é um dos principais trechos a serem contemplados no novo plano viário.

Na opinião do secretário, a cidade enfrenta gargalos críticos de trânsito nas vias estratégicas porque o cidadão não conta com transporte público de qualidade, e acaba apelando para o carro.

VLT, o primeiro passo

A retomada do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é estratégica para a implantação do novo plano viário. O sistema, que funcionou entre1990 e 1995, consumiu investimentos públicos da ordem de US$ 125 milhões, gastos com a compra de trens, construção de estações e adequações da linha de 8,5 quilômetros, entre os Campos Elíseos e a região central. O sistema, que sempre operou no prejuízo, foi desativado, e trechos do traçado foram invadidos e ocupados com submoralidade.

Nos próximos dias, garante o secretário, a Prefeitura vai assinar com o governo federal os termos do prometido estudo de viabilidade do novo VLT, orçado em R$ 1,2 milhão, integralmente bancado pelo governo federal. “O sistema original fracassou porque não estabelecia a integração com as outras mobilidades de transporte”, fala. “Agora, pensaremos as linhas circulares do BRT a partir do traçado definitivo do VLT, e do sonhado trem urbano de passageiros.”

A FRASE

“O plano viário precisa considerar a Campinas do ano de 2040.”

CARLOS JOSÉ BARREIRO

Secretário Municipal de Transportes e presidente da Emdec

BOX I

As reuniões de trabalho do novo plano viário do município vão acontecer na própria Secretaria Municipal de Transportes. Os especialistas da USP farão propostas a partir de diretrizes traçadas por técnicos locais. O projeto será elaborado em sincronia com a revisão do Plano Diretor do Município, que até 2016 deve reordenar a legislação de uso e ocupação do solo. “A política municipal de transportes será adotada considerando os índices de ocupação urbana previstos para cada trecho da cidade”, afirma o secretário Barreiro

BOX II

O convênio com a USP não será a primeira parceria feita com universidades públicas desde que Barreiro assumiu a presidência da Emdec. No mês passado, foi firmado um contrato com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) um convênio para análise das planilhas de custo do transporte público. A proposta do acordo _ que custou R$ 300 mil aos cofres públicos _ é rever a forma como são calculados os custos dos operadores de ônibus, que determinam o preço da passagem. Os técnicos devem concluir os estudos nos próximos cinco meses.

PONTO DE VISTA

O governo municipal acerta em atrelar as diretrizes viárias à política de ocupação do solo. O sistema público de transportes é deficiente, hoje em dia, examente por esta razão. Existem pontos do Muncípio que se tornam superpopulosos de um dia para o outro, sem que exista infraetrutura de serviços implantada. Exemplo clássico é o Jardim Bassoli: 2.300 famílais de mudaram para o novo conjunto habitracional, e as empresas que operam no transporte coltivo foram obrigadas a dar conta de uma demanda imensa. Campinas precisa aprender com as experiências de grandes cidades de porte, como Maringá (PR), Sorocaba e Santo André (SP), que adequaram os sistemas viários às dermandas existentes. A própria retormada do VLT precisa estar atenta a isso: na primeira vez, sistema não funcionou porque os veículos não chegavam à suposta massa de potenciais usuários.

FÁBIO DE ALMEIDA MUZZETI

Arquiteto, mestre em urbanismo, e diretor da Facukldade e Arquitetura da PUC-Campinas

Escrito por:

Rogério Verzignasse