Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h34

O Conselho Regional da Câmara de Comércio Exterior de Campinas e Região deu o pontapé inicial na última quarta-feira, com a realização da primeira reunião do grupo. Ao todo, 29 cidades de um raio de 200 quilômetros de Campinas fazem parte do Conselho, que irá colher informações e demandas dos municípios a fim de criar um banco de dados para ser disponibilizado aos governos federal e estadual, câmaras de comércio, embaixadas e consulados de outros países. O objetivo é fomentar as exportações e importações das empresas da regiões, além de atrair investimentos estrangeiros para os municípios que compõem a Câmara.

Dos 29 municípios que fazem parte do Conselho, 12 são da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Cidades da região com economias importantes, como Piracicaba, Limeira, Itu e Sorocaba, também fazem parte do grupo. Os conselheiros foram indicados pelos prefeitos de cada município e vão repassar dados de incentivos fiscal, competitividade e pontos de atração, inclusive turística.

“Esta é a primeira vez que nós fazemos reunião com o Conselho, para ter o primeiro contato e explicar o que é a Câmara. Estamos convidando cidades de até 200 quilômetros de Campinas e mais de 70 já foram chamadas. Isso porque essas cidades não pertencem à RMC, mas têm potencial muito grande”, destaca o presidente da Câmara, o ex-vereador, jornalista e advogado Romeu Santini. Segundo ele, outros municípios convidados farão parte do Conselho.

Uma das principais funções da Câmara de Comércio Exterior é a interlocução com empresas estrangeiras e a troca de informações com consulados e embaixadas. “O nosso foco é o relacionamento com esse caminho por onde vem os estrangeiros. Vamos mandar informações de todas as cidades”, acrescenta Santini.

Professor de Comércio Exterior da PUC-Campinas, o sul-africano Duncan Chaloba é integrante da Câmara com Ligações Internacionais e será responsável por fazer a ponte entre as empresas e prefeituras da região com os consulados e embaixadas do continente africano. Segundo ele, já existem reuniões agendadas com representantes da África do Sul. “Fui nomeado para desenvolver a relação com a África, para ampliar e consolidar o contato com o continente e tentar trazer negócios para a Câmara. Em outubro vamos receber empresários da África do Sul e estou agendando com o Romeu Santini para ele apresentar o projeto”, revela Chaloba.

Para Carlos Alberto da Silva Lima, presidente da Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) e diretor de Ciência e Tecnologia da Câmara, a região tem potencial não só para ampliar as exportações de produtos de alta tecnologia como também para atrair novos investimentos estrangeiros. “Temos a força produtora, a mão de obra qualificada que é fundamental para atrair empresas que venham para a região. Minha participação na Câmara vem por esse casamento, que é exportar produtos de alto valor agregado e atrair a vinda de empresas estrangeiras”, frisa Lima.

Idealizada por Romeu Santini através da sua experiência como secretário de Cooperação Internacional de Campinas, a Câmara de Comércio Exterior de Campinas e Região foi criada em abril deste ano. De acordo com o diretor titular da regional de Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) José Nunes Filho, a entidade terá função importante para fomentar os negócios com empresas e países estrangeiros e trazer novos investimentos para a região. “É incrível que uma região como a nossa, com a pujança que tem e a possibilidade da exportação de produtos de alta tecnologia, não tinha uma Câmara de Comércio Exterior para fazer acordos com outros países”, afirma. “Nós temos produtos industrializados de alto valor agregado que merecem ser exportados”, completa Nunes Filho.

Grupo movimentou US$ 16,2 bi em 2014

O comércio exterior dos 29 municípios de Campinas e região integrantes do Conselho Regional movimentou US$ 16,2 bilhões de janeiro a julho deste ano, segundo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Foram US$ 4,7 bilhões em produtos exportados para outros países e US$ 11,5 bilhões importados do Exterior, deixando a balança comercial negativa em US$ 6,8 bilhões. O déficit é motivado pela característica da indústria da região e pela retração da economia mundial.

Os produtos exportados por Campinas e região vão desde componentes de alta tecnologia, como combustíveis e lubrificantes para embarcações e aeronaves, medicamentos e escavadoras, até fraldas, absorventes e sementes. Já as importações são em sua maioria produtos industrializados prontos, como parte de automóveis e equipamentos eletrônicos.

De acordo com estudo da Fundação Seade divulgado no ano passado, na última década o eixo formado pelas regiões de Campinas e Sorocaba apresentou um crescimento acelerado na aglomeração de indústrias. Com o parque industrial cada vez mais diversificado, o eixo que passou a ser conhecido como “corredor asiático”, por receber investimentos de várias empresas japonesas, sul-coreanas, taiwanesas e chinesas, elevou a participação do valor adicionado fiscal industrial (VAF) de 28,3% do total do Estado em 2000 para 33,5% no ano de 2010. Atualmente, juntas, elas ocupam a segunda posição no conjunto do produto nacional industrial à frente de estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro.