Publicado 10 de Setembro de 2014 - 5h33

O comércio de Campinas sentiu um duro golpe em agosto: pior movimento dos últimos sete anos. A queda nas vendas em relação ao ano passado foi de 5,5% e foi a mais acentuada desde agosto de 2008, quando o mercado já sofria com os efeitos da crise mundial. O faturamento no mês passado foi de R$ 1,25 bilhão. No ano anterior, o volume foi de R$ 1,29 bilhão. Mas o cenário pode melhorar neste mês com a primeira parcela do 13 salário dos aposentados e pensionistas, que deve injetar R$ 130,3 milhões na economia local.

Mas boa parte desses recursos deve ir para pagar dívidas. A inadimplência foi uma das responsáveis pelos números negativos de agosto. No mês passado, subiu 7,79% a quantidade de carnês que deixaram de ser pagos, após 30 dias do vencimento. O volume subiu de 18.100 carnês no oitavo mês do ano passado para 19.510 neste ano. Comparado com julho de 2014, o calote disparou 47,28%.

No acumulado do ano, a inadimplência já provocou uma perda de R$ 102,7 milhões no comércio. O valor é 5,22% superior aos R$ 97,6 milhões do período entre janeiro e agosto de 2013. Os brasileiros compraram muito nos últimos anos e comprometeram boa parte do orçamento mensal. Com a inflação em alta, a situação fica ainda mais complexa.

O reflexo é traduzido em números como os de agosto deste ano em Campinas e região. Análise mensal da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostrou que as vendas à vista despencaram no mês passado. O recuo foi de 16,22%. Já as compras parceladas cresceram 3,07% no mês. No ano, as vendas no crediário subiram 6,52% e os pagamentos à vista recuaram 3,96%. “Os dados corroboram a falta de dinheiro no bolso do consumidor”, afirmou o coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins.

Ele salientou que o faturamento caiu menos do que as vendas em decorrência da inflação que incidiu sobre os produtos. “As mercadorias estão mais caras do que no ano passado. A inflação impacta os salários e eleva os preços. O resultado é a queda no poder de compra. O cenário para 2014 é desfavorável e o crescimento será menor do que em 2013.”

Conjuntura

O economista diz que o 13 salário deve alavancar as vendas. “A expectativa é que 45% dos recursos sejam para compras. Outros 45% para o pagamento de dívidas e o restante para poupança”, comentou. Martins destacou que os R$ 130,3 milhões que serão injetados na cidade representam 10% do faturamento mensal do varejo.

O coordenador diz que o ano deve fechar abaixo das expectativas. “A conjuntura não é positiva e o comércio de Campinas deve crescer entre 3,5% e 4% neste ano. Em 2013, a ampliação em relação a 2012 foi de 6%. A economia não deve reagir até o final do ano e o PIB (Produto Interno Bruto) pode nem chegar a 1%”, analisou.

RMC

O quadro negativo também afetou o comércio da região. De acordo com o estudo da Acic, as vendas recuaram 5,50%. O faturamento de agosto caiu 3,57% e fechou o mês em R$ 2,97 bilhões. No ano anterior, o valor foi de R$ 3,08 bilhões. A inadimplência subiu 4,55%, passando de 318.245 casos de janeiro a agosto de 2013 para 332.726 neste ano. O calote atingiu R$ 244,6 milhões. Na região, a expectativa é que sejam injetados R$ 270,3 milhões referentes à primeira parcela do 13 salário dos aposentados.