Publicado 09 de Setembro de 2014 - 5h32

A presidente Dilma Rousseff se negou-se a dizer qual o valor e quando será o próximo reajuste da gasolina no País. A presidente disse, no entanto, que não vai haver um “tarifaço” após as eleições. Para justificar sua posição, a presidente comparou o aumento do combustível na refinaria com a inflação medida pelo IPCA.

Segundo Dilma, o combustível teve um aumento real de cerca de 7%. A presidente disse levar em conta os custos de produção que são importados, mas afirmou que não há obrigação de atrelar o aumento do combustível no Brasil ao mercado internacional. “Não existe uma lei divina que obrigue a atrelar ao mercado internacional”, defendeu, dizendo que os Estados Unidos têm política parecida com relação ao gás de xisto, cujo preço mais baixo ajuda na competitividade da indústria norte-americana. “Querem vincular o preço do petróleo do Brasil ao praticado lá fora. Por que, a quem interessa e a quem beneficia?”, questionou.

A presidente disse considerar legítima a demanda da Petrobras por um reajuste maior para os combustíveis, uma vez que a empresa tem acionistas e deve visar o lucro. Mas ao mesmo tempo, Dilma disse que a riqueza explorada pela empresa tem “202 milhões de acionistas”, o povo brasileiro. “É uma discussão que cabe à Petrobras e ao seu conselho”, afirmou. A presidente disse ainda que o reajuste será feito “moderadamente”. Dilma garantiu ainda que não há represamento de preços de energia elétrica e desafiou alguém a mostrar atraso na tarifa de energia. “Tudo que está previsto pela legislação está sendo repassado”, afirmou.

Apesar dos esforços do governo para não elevar tarifas, os economistas aumentaram suas projeções para o IPCA, índice oficial de inflação, neste ano. A expectativa é a de que a alta sustentada de preços chegue a 6,29% em 2014, antes projeção de 6,27% na semana passada. Se a previsão se confirmar, o índice fechará o ano pouco abaixo do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 6,5% ao ano.

A alta na projeção da inflação vem na esteira do resultado do IPCA registrado em agosto pelo IBGE. Segundo o instituto, o índice acelerou, registrou uma alta de 0,25% no mês e voltou a ultrapassar o teto da meta no acumulado de 12 meses, atingindo 6,51% no período. Em julho, o IPCA permaneceu quase estável, a 0,01%. O aumento se deu diante do fim do ciclo de quedas expressivas dos preços dos alimentos e sob impacto de reajustes de energia elétrica. No mês, a energia elétrica subiu 1,76%. (Folhapress)