Publicado 09 de Setembro de 2014 - 5h32

A presidente Dilma Rousseff confirmou ontem que o ministro Guido Mantega (Fazenda) não fará parte de um eventual segundo governo da petista por questões pessoais. ”Eu vi que, depois que falei equipe nova e governo novo, as pessoas fizeram várias ilações sobre o Guido Mantega. Ele comunicou que não tem como ficar no governo no segundo mandato por questões pessoais, que eu peço para vocês respeitarem”, afirmou Dilma em sabatina realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo no Palácio da Alvorada, em Brasília.Na semana passada, Dilma já havia indicado que não manteria Mantega em um eventual segundo mandato ao ser questionada sobre a permanência do ministro.“Eleição nova, governo novo, equipe nova. Dá azar falar de uma coisa que ainda não ocorreu. Mas é governo novo, equipe nova, não tenha dúvida disso”, afirmou Dilma em um evento de campanha em Fortaleza na última quinta-feira.Economia

Candidata pelo PT à reeleição, Dilma garantiu que fará mudanças na sua política econômica em um eventual segundo mandato. “Eu pretendo melhorar a gestão. Não vou aplicar tudo igual ao que eu venho fazendo. Pretendo melhorar”, disse.A presidente afirmou que o País está preparado para as mudanças que ela deseja fazer, como a diminuição de alguns incentivos, que foram usados nos últimos anos para esquentar a economia.“Vamos continuar focados em emprego e valorização de salário. Não concordo, como alguns acham, que a razão da inflação é a política de valorização do salário mínimo. Estamos recuperando a queda brutal que houve no Brasil no período anterior ao de Lula.”Mercosul

Em resposta aos seus adversários, a presidente Dilma Rousseff disse também que acabar com o Mercosul é um “tiro no pé” e que não faz política externa com “ideologia”.Ao defender a postura do governo em priorizar a América Latina e o Mercosul em suas negociações, Dilma disse que os mercados são responsáveis por 80% das exportações do Brasil.“Acabar com o Mercosul é dar com um tiro no pé. Nós somos a maior economia da América Latina. Temos que perceber o tamanho desse mercado”, afirmou a presidente. Dilma disse que suas propostas como candidata não “viram as costas” para a América Latina, enquanto outros só “enxergam” mercados como a Europa. “Ninguém vai fazer política externa com base em ideologia. Eu não posso sentar nos Estados Unidos e falar só de Guantanamo. Também não posso só falar com a China de Direitos Humanos”.Dilma ainda rebateu as críticas em relação à política de subsídios de bancos públicos em seu governo. A presidente disse estar “extremamente preocupada” com a “forma” como estão tratando a questão dos bancos públicos e disse que a política de crédito adotada pelos governos do PT impediram ao País sofrer efeitos da crise internacional.“Estou extremamente preocupada com a forma como estão tratando a questão dos bancos públicos. Logo depois do começo da crise, naquela ocasião, tanto o BNDES quanto o Banco do Brasil, quanto a Caixa Econômica Federal foram essenciais para que o País não sofresse com a crise. Foram eles que garantiram crédito”, disse. A presidente também defendeu a política de incentivo à indústria, ferramenta que ela considera "essencial" ao Brasil. (Da Folhapress)