Publicado 08 de Setembro de 2014 - 5h33

“Não é função da taxa de câmbio compensar a defasagem de custos. Mas, cada vez que o real se valorizava, o preço de exportação se tornava mais elevado e o de importação mais barato”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Um exemplo clássico de como o País ficou caro é o aumento das viagens dos brasileiros para fazer compras no exterior. O destino preferido tem sido os outlets dos Estados Unidos. Por ano, os turistas trazem do exterior mais de 50 mil toneladas de roupas nas malas. Hoje, diz Pimentel, uma mesma peça no Brasil custa 30% mais que no exterior. A valorização da moeda brasileira também criou um descompasso entre o preço do produto brasileiro e o importado no setor de calçados. “A grande maioria dos insumos é nacional e foi pago com moeda forte. Tudo isso causou uma dificuldade de formar preços competitivos para concorrer no mercado internacional com outros países, notadamente os asiáticos”, afirma Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. A dificuldade de competir fica evidente sobretudo com o produto chinês. Em julho deste ano, o preço médio do calçado brasileiro estava em US$ 8,47, enquanto o calçado chinês variava de US$ 5 a US$ 6. Essa diferença fez com que o Brasil perdesse espaço nos Estados Unidos, a maior economia do mundo. (Agência Estado)