Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h34

A inflação não irá desacelerar para o centro da meta do governo se não houver uma mudança na política econômica. A opinião é de Paulo Picchetti, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).Ao comentar as perspectivas da inflação no próximo governo, ele lembrou que a atividade fraca na indústria mostra os limites da política monetária e afirmou que o crédito não é a principal fonte de problema. A questão, para ele, passa mais pela política fiscal. “Pode trazer a inflação para o centro da meta o candidato que garantir a independência do Banco Central com contenção de gastos sem mecanismos contábeis”, afirmou.Questionado sobre quais gastos cortar, ele mencionou os créditos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a redução do funcionalismo público.Para Picchetti, a discussão entre desemprego baixo ou inflação alta representa um falso dilema, uma vez que é justamente a população mais pobre quem mais sofre com a inflação acelerada. Além disso, ele afirmou que o desemprego já está aumentando, embora isso não se reflita nos números do governo. Picchetti lembrou que, principalmente na indústria, há destruição de postos de trabalho. O coordenador do IPC-S ainda afirmou que os sinais disponíveis também mostram uma desaceleração nos ganhos reais de salários e uma redução no nível de emprego. Ele lembrou que, além da força mostrada pelo setor de serviços, um dos fatores que explicam a manutenção da baixa taxa de desemprego no Brasil é o fato de que os jovens estão deixando de procurar trabalho, o que os mantêm fora das estatísticas. (Da Agência Estado)