Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h34

O governo argentino disse que “muitos credores” se mostraram dispostos a participar de uma troca de dívida externa por doméstica, que busca contornar uma ordem judicial nos Estados Unidos que levou o país ao seu segundo calote em pouco mais de uma década.O juiz norte-americano Thomas Griesa bloqueou no fim de julho a conclusão do processo de pagamento no exterior dos juros de um bônus da Argentina, uma vez que o governo da presidente Cristina Kirchner se negou a acatar uma decisão que o obriga a pagar US$ 1,3 bilhão a fundos detentores da dívida em calote.Para contornar a sentença, Cristina enviou ao Congresso argentino um projeto de lei para que o estatal Banco de La Nación substitua o Bank of New York Mellon (BNY Mellon) como agente de pagamentos dos bônus argentinos reestruturados sob jurisdição de outros países, que incluem os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Japão.O projeto, que será discutido na próxima semana na Câmara dos Deputados argentina após ter sido aprovado na quinta-feira pelo Senado, oferece aos credores que troquem seus títulos regidos por leis estrangeiras por outros similares sob a lei argentina.“Respeito a dúvida e a opinião de muitos credores, que também têm manifestado publicamente vontade de participar do sistema de pagamento proposto pela República Argentina na lei de pagamento soberano”, disse o chefe de gabinete, Jorge Capitanich.Capitanich não deu detalhes sobre os credores que estariam dispostos a participar da troca ou a cobrar os juros dos títulos argentinos em Buenos Aires ou na França.A implementação do plano argentino vai enfrentar diversos obstáculos jurídicos, pois qualquer terceiro que colabore com o país na troca se arrisca a cair em desacato com a Corte americana.Calote

Em 2001, a Argentina decretou um calote e parou de pagar seus títulos.Quatro anos depois, o país procurou seus credores e ofereceu trocar os papéis por novos, que valiam 30% dos antigos, mas seriam honrados.Os credores que não aceitaram trocar os títulos procuraram a Justiça dos EUA. Neste ano, o juiz Griesa determinou que dívida renegociada com parte dos credores só poderia ser paga se o país chegasse a um acordo com os donos de papéis que estão em calote desde 2001. (Da Folhapress)