Publicado 09 de Setembro de 2014 - 19h05

Os cartões-postais do Rio de Janeiro são tantos, e tão marcantes, que a Cidade Maravilhosa tem se tornado frequentemente palco de produções cinematográficas internacionais. O diretor brasileiro Carlos Saldanha retratou em 2011 as belezas da capital fluminense na animação Rio, enquanto longas em live action como Velozes e Furiosos 5, Os Mercenários e Saga Crepúsculo: Amanhecer trataram de abusar das qualidades naturais e reais da cidade.

O terceiro capítulo da franquia Cities of Love, Rio, Eu Te Amo — as outras foram Paris, Eu Te Amo, de 2006, e Nova York, Eu Te Amo, de 2009 —, que chega aos cinemas do País amanhã, por outro lado, decidiu ir além: reuniu um estrelado e premiado time de diretores e atores, nacionais e internacionais, para mostrar olhares bem distintos sobre histórias de amor ambientadas na cidade. Aventuras que tiveram meses de intensa divulgação de fotos e vídeos dos bastidores, além de uma forte mobilização na internet para que os fãs demonstrassem a paixão pelo Rio com a hashtag #RioEuTeAmo e até uma página no Facebook que ultrapassa 1,3 milhão de seguidores, na tentativa de fazer o País se curvar mais uma vez aos pés do Cristo Redentor, do Corcovado, do Pão de Açúcar, da Praia de Copacabana e de vários outros cenários.

O melhor exemplo entre as dez histórias que compõem o filme é o curta Inútil Paisagem, de José Padilha (Tropa de Elipe e Robocop). Na trama, um instrutor de asa delta vivido por Wagner Moura atravessa o céu da cidade após saltar da Pedra Bonita, mostrando, em longos takes, as paisagens de tirar o fôlego do Rio ao amanhecer. Mas, ao passar pelo Cristo Redentor, o instrutor começa a desabafar com a estátua sobre os inúmeros problemas da cidade, como criminalidade, enchentes e trânsito, e solta: “Cidade maravilhosa é o c***. Eu vou embora. Boa Olimpíada”. O filme de Padilha, mais do que contrastar as belezas e os problemas do Rio, entrou em evidência em julho ao ter sua veiculação proibida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, que considerou ofensivo o uso da imagem do Cristo na sequência. O veto acabou sendo revogado no mesmo mês, permitindo que a obra entrasse em Rio, Eu Te Amo, que já estava finalizado.

“Nunca imaginamos que a Igreja fosse ter esse tipo de postura, até porque o filme não é religioso. O Zé (Padilha) teve liberdade criativa e essa cena acabou ganhando muito destaque. Ainda bem que eles voltaram atrás, mas foi muito difícil incluir o episódio de volta. Corremos muito”, disso o produtor Pedro Buarque de Hollanda na coletiva realizada anteontem na Lagoa Rodrigo de Freitas, com presença de boa parte do elenco e da equipe, incluindo os diretores internacionais Guillermo Arriaga (indicado ao Oscar de roteiro por Babel) e Nadine Labaki (que venceu o festival de Toronto de 2012 com o longa E Agora, Aonde Vamos?).

*O repórter viajou ao Rio a convite da Conspiração Filmes

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