Publicado 10 de Setembro de 2014 - 5h33

Mais de um ano após a chegada dos primeiros estrangeiros pelo programa federal Mais Médicos, Campinas possui 92 profissionais trabalhando em 52 Centros de Saúde, distribuídos pelas cinco regiões da cidade. A Sul —onde estão bairros como Oziel, Campo Belo e Jardim Paranapanema — é a que mais concentra médicos (26), que chegaram em quatro ciclos do programa. Do total, três desistiram de trabalhar desde o fim de agosto, quando os cinco primeiros estrangeiros chegaram. Segundo a Secretaria de Saúde, as desistências ocorreram por “questões pessoais”. São 92 profissionais estrangeiros (50 mulheres e 42 homens) e desses 81 são cubanos. Há italianos, venezuelanos e dois brasileiros que se formaram no Exterior e trabalham por meio do programa.

A Secretaria informou que não é possível ainda fazer um levantamento do impacto de produção e consultas, porque a maior parte dos médicos chegou em abril. No mês, foram 66 médicos. Em junho, levantamento prévio apontava impacto de 5% no atendimento ao Programa Saúde da Família (PSF) no primeiro e segundo ciclo do programa na cidade, quando contava com apenas 28 profissionais do Mais Médicos.

Campinas vive uma crise na rede pública de saúde e faltam profissionais para trabalhar. Para tentar sanar o problema, além de aderir ao programa Mais Médicos, a Prefeitura abriu concurso público para contratar 412 novos profissionais. A prova ocorre no final deste mês. Com o processo, serão 2,1 mil trabalhadores na rede pública.

Pacientes

No Centro de Saúde Aurélia, na região Norte, os pacientes notaram melhora no atendimento e defendem a permanência dos estrangeiros. A unidade conta com três profissionais do programa federal e foi uma das primeiras a receber os profissionais. São todos cubanos e foram bem recebidos pela comunidade.

“Achei o médico cubano mais atencioso. É um retorno que faço hoje, porque ele é bastante interessado. Ele me contou que o contrato é de 3 meses, mas pedi que ficasse mais. Até pra continuar acompanhando a gente”, relatou a assistente de vendas Eliana de Fátima Mantovani, de 52 anos. A consulta dela foi ontem pela manhã, com o médico Manoel. Ela disse que a questão da língua é “tranquila” e que a estrutura do Centro de Saúde é boa, mas faltam profissionais.

O aposentado José Ermínio dos Santos, de 53 anos, também aprovou o atendimento da médica cubana Isbel, que clinica no CS Jardim Aurélia. “Consigo entender a língua e não tive problemas com os medicamentos indicados. Ela é cuidadosa e me atende há 3 meses”, disse.

O coordenador da Atenção Básica da Secretaria de Saúde de Campinas, Carlos Eduardo Cantúsio Abrahão, afirmou que foi levado em consideração o critério sócio-epidemiológico na distribuição dos profissionais. “De forma geral, o programa tem méritos e problemas. De positivo, a maior parte dos médicos entrou e se adaptou às equipes e à comunidade. O problema é que há correntes contra o programa, como os conselhos de medicina”, afirmou.

Lançado em julho de 2013 pela presidente Dilma Rousseff, atualmente o programa Mais Médicos conta com mais de 14 mil profissionais atuando em cerca de 4 mil cidades. A maioria (75%) dos médicos está em regiões de grande vulnerabilidade social, como o semiárido nordestino, periferia de grandes centros, municípios com IDHM baixo ou muito baixo e regiões com população quilombola, entre outros critérios de vulnerabilidade.

O programa pretende sanar o déficit de profissionais médicos no País. Segundo a OMS, há 17,6 médicos no Brasil para cada 10 mil pessoas. A taxa é um pouco inferior à média do restante dos países emergentes — 17,8. O índice também é inferior à média das Américas (mais de 20).

Com carga horária de 40 horas semanais, os profissionais devem atuar somente nas unidades básicas de saúde. O salário pago pelo governo federal aos profissionais é de R$ 10 mil.