Publicado 10 de Setembro de 2014 - 5h33

O Conselho Estadual de Recursos Hídricos aprovou ontem a reclassificação do Rio Jundiaí entre as cidades de Indaiatuba e Itupeva, que passará da categoria 4 para a 3. Isso permitirá que a água daquele trecho de 22 quilômetros possa ser utilizada para o abastecimento público, uma demanda da cidade de Indaiatuba, que esperava o aval do Estado para utilizar o rio para abastecer 15% da cidade e ajudar o município a enfrentar a crise hídrica. Com a aprovação, o governo do Estado irá autorizar a captação da água. Indaiatuba utilizava o Rio Jundiaí para abastecimento até 2004, mas a alta concentração de poluentes levou a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) a alterar a classificação para nível 4, considerada a mais alta em relação à poluição — nessa categoria o rio só pode ser utilizado para navegação e à harmonia paisagística. No nível 3, além do abastecimento publico, a água pode ser utilizada para a pesca amadora e para o consumo de animais.

No mês passado, os Comitês das Bacias Piracicaba, Capivari Jundiaí (PCJ) aprovaram a liberação da água do Rio Jundiaí para consumo humano. Segundo documento da Cetesb, houve melhora da porcentagem de atendimento ao padrão da classe 3, atingindo conformidade ao padrão próximo de 100% a partir de Itupeva até o trecho de Indaiatuba, até o córrego do Barnabé. A demanda de oxigênio na água também apresentou melhora. Os metais alumínio, arsênio, bário e cádmio, entre outros, não foram mais encontrados neste trecho do Rio Jundiaí. A quantidade de coliformes termotolerante encontrada na água, de acordo com a Cetesb, é facilmente tratado. O projeto de despoluir o rio começou na década de 80, quando as cidades no entorno passaram a tratar o esgoto que era despejado na água.

Estudo da Unicamp de 2009, com dados entre 2006 e 2008, realizado pela engenheira ambiental Caroline Suidedos, indicou que parte dos resíduos domésticos e industriais de 103 municípios trazidos para a Estação de Tratamento de Esgotos de Jundiaí (ETEJ) era inadequado ao tratamento local. As estações de Campo Limpo, Várzea e Itupeva ajudaram a recuperação. (Maria Teresa Costa/AAN)