Publicado 09 de Setembro de 2014 - 5h32

Sem uma rede capaz de atender à demanda de pacientes em Campinas, o plano de saúde Assimédica entrou em colapso. Os usuários reclamam da falta de médicos, de clínicas, de hospitais e até de laboratórios para realização de exames. Os problemas se agravaram após o descredenciamento da Casa de Saúde, em julho, e do fechamento do Centro Clínico há uma semana. Com tantos problemas, um total de 32.694 consumidores correm risco de ficar na mão. A própria operadora admite problemas na rede, mas disse que tenta saná-los. Ministério Público, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Conselho Regional de Medicina de São Paulo já começaram a adotar medidas contra a operadora.

A sede do plano de saúde, ontem, estava lotada de beneficiários registrando reclamações ou tentando fazer a portabilidade do plano, como é o caso da assistente social Rosemary Gimenes, de 50 anos. “Não tem médico. O Centro Clínico fechou. Não estão fazendo exames e não tem hospital atendendo. Com tudo isso ainda tem coragem de aplicar reajuste de um plano que nem está funcionando”, disse. Até para pedir a portabilidade do plano ela está enfrentando dificuldade. “Estou aqui pela terceira vez”, reclamou. Com a falta de médico e urgência de atendimento, Cirene Alves de Lima, de 55 anos, precisou pagar por um médico. “Vim pegar o reembolso”, contou.

Dados da ANS apontam a operadora como a terceira em reclamações no País. No Procon Campinas, a Assimédica é campeã de reclamações. Nos últimos nove dias foram registradas 31 queixas. O número de pacientes na porta da Assimédica era tão grande, que a operadora fechou os portões com pelo menos duas horas de antecedência.

Ao Correio, o departamento jurídico da Assimédica admitiu que está com um problema em sua rede de atendimento há três meses, mas que em uma semana espera colocar o projeto de recuperação em andamento. Informou que a crise foi agravada por problemas internos e pelo descredenciamento da Casa de Saúde, considerado o hospital de referência, em três dias, não havendo tempo hábil para realocar os pacientes. “Isso agravou muito a situação e desde então estamos tentando restabelecer a rede”, informou a advogada, que não quis se identificar. Sobre o fechamento do Centro Clínico, na semana passada, ela informou que ocorreu pela evasão de beneficiários, ou “redução da carteira”.

O número de médicos e da rede credenciada não foi informado. Sobre a assistência aos pacientes, a Assimédica informou que aqueles que não conseguirem atendimento pela operadora receberão o reembolso, desde que apresentem a documentação no prazo estipulado. Os pacientes reclamam do descaso. “A sensação é de impotência porque a gente não tem para onde ir, nem o que fazer. A angústia é grande e estou me sentindo perdida”, disse Rosemary.

ANS já suspendeu a comercialização de novos planos

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que “está ciente da grave situação” de atendimento da Assimédica em Campinas e tem tomado as providências cabíveis, como a suspensão da comercialização de planos de saúde a novos consumidores. Neste momento, a operadora encontra-se sob monitoramento econômico-financeiro na Agência. É apurada a existência de desequilíbrios que podem estar comprometendo a capacidade da operadora de honrar seus compromissos com a rede prestadora de serviços e também com a assistência aos seus beneficiários. A ANS informou que fiscais do órgão estiveram ontem na operadora para fazer uma diligência e levantar informações para análise.

De acordo com o diretor do Procon-Campinas, Ricardo Chiminazzo, a Assimédica já foi cobrada em maio e, com o aumento de reclamações, foi novamente acionada. Até o momento, segundo Chiminazzo, não apresentou um posicionamento. Caso não haja uma resposta ainda esta semana, a operadora poderá ser multada. Em reunião com a ANS, agendada para esta semana, o Procon irá propor, no âmbito coletivo, a portabilidade especial dos usuários. Chiminazzo informou ainda que os beneficiários podem pedir individualmente a portabilidade e caso não consigam devem acionar o órgão de defesa do consumidor. O Ministério Público também está acompanhando o caso, mas, procurado ontem, não respondeu à reportagem.

De acordo com Sílvia Helena Rondina Mateus, diretora tesoureira do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, o colapso da Assimédica está sendo acompanhado de perto pela entidade, com o objetivo de evitar desassistência aos usuários. Além disso, há a informação de que muitos médicos credenciados estão sem receber. “O descredenciamento da Casa de Saúde, Instituto Radium e de médicos do Pronto-Socorro do Hospital Irmãos Penteado ocorreu por falta de pagamento”, confirma a diretora do Conselho.(IM/AAN)