Publicado 09 de Setembro de 2014 - 5h32

Os 150 candidatos a deputado estadual e federal da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão investindo pesado para cativar o eleitor. De acordo com a segunda prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), eles gastaram R$ 10,9 milhões desde o início da campanha, em julho. A maioria das despesas foi com material de divulgação, como cavaletes e santinhos, e pagamento de cabos eleitorais. O valor das receitas arrecadadas é semelhante às despesas e totaliza R$ 10,5 milhões. O montante tem origem em doações de pessoas físicas, jurídicas e partidos.

Segundo o especialista em marketing político João Miras, o sistema eleitoral do País obriga o candidato a fazer gastos elevados, uma vez que é preciso fazer campanha em todo o Estado. Por isso, ele defende uma reforma política e a adoção do voto distrital misto, que aproximaria o candidato do seu eleitor. “Estou vendo candidatos com dificuldade para obter recursos e apostando nas redes sociais”, analisa Miras. O especialista acredita ainda que o valor investido deve ser maior do que o declarado.

O recordista de gastos na região é Gustavo Petta (PCdo B), postulante a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ele desembolsou R$ 1,324 milhão, a maior parte com funcionários, material impresso e combustível. Os gastos são mais de quatro vezes superiores ao arrecadado (R$ 383,7 mil). Na sequência, as maiores despesas são do deputado federal e candidato à reeleição Paulo Freire (PR), com R$ 1,2 milhão, e do candidato a deputado estadual Angelo Perugini (PT), R$ 853 mil.

Contrastando com os gastos milionários, alguns informaram ao TSE gastos irrisórios, como os concorrentes a deputado estadual Marcelo Jorge (PV) e Roberta Merlo (PV), cujas despesas foram R$ 48,10 e R$ 210,00, respectivamente. Outros 35 postulantes da RMC entregaram a segunda parcial de prestação de contas sem lançamentos de despesas. Segundo a Lei das Eleições, a prestação final deve ser entregue até o dia 4 de novembro. A ausência de prestação de contas parcial caracteriza omissão, que poderá repercutir na regularidade das contas.