Publicado 08 de Setembro de 2014 - 5h32

A Praça Salim Jorge e a Rua Gustavo Armbrust, no Cambuí, em Campinas, foram reabertas ontem para a circulação de pessoas e de veículos. O espaço tinha sido interditado há um ano e três meses, quando uma cratera se formou durante os trabalhos de fundação de um prédio comercial. O muro de contenção da construção cedeu e um grande buraco se formou, destruindo a rua e parte da praça, derrubando árvores, postes e calçadas.O acidente não deixou feridos, mas causou transtornos à população do entorno durante o tmepo da reforma. “A obra que foi entregue hoje (ontem) está muito caprichada. O único problema é que demorou um ano e três meses para ficar pronta. A Prefeitura não se manifestou em agilizar o processo. Isso atrapalhou o dia a dia dos moradores, principalmente com relação ao trânsito, que já é complicado por aqui”, disse o empresário Walter Farias, de 64 anos, que frequenta a região.Os comerciantes do entorno também reclamaram de prejuízos. “Perdemos em vendas, porque a quantidade de pessoas que passavam por aqui diminuiu muito. Espero que agora a situação se normalize”, afirmou Patrícia Almeida, de 35 anos. “As obras provocaram transtorno, muito barulho, poeira e, principalmente, aumento de trânsito, mas o local ficou muito bonito. Acabou aquela visão horrível que estava aqui havia mais de um ano”, comentou o empresário Antônio Carlos Medeiros, de 52 anos.As obras deveriam ser entregues em março, mas um problema com alvará de funcionamento junto à Prefeitura causou atraso. A GNO Empreendimentos e Construções era a empresa responsável pela obra quando a cratera se formou e também fez todo o trabalho de revitalização da área.Acidente

Ocorrido em junho do ano passado, o acidente só não foi mais grave porque, uma hora antes do desmoronamento, agentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) perceberam uma rachadura anormal no solo e providenciaram a retirada de funcionários do canteiro de obras e de pessoas nas empresas das proximidades. No local está sendo construído um edifício comercial com 11 andares.Segundo o laudo feito na época do acidente, houve falha na formação das estruturas de concreto no solo, chamadas de bulbos de ancoragem. Outros fatores, como a adoção de parâmetros de resistência do maciço de solo elevados frente às características dos materiais encontrados no local e a simplificação do modelo de distribuição das tensões horizontais, também foram apontados.Outro motivo foi a elevação do nível de água da área por causa de um vazamento da rede de abastecimento existente perto da parede, que pode ter ocorrido por causa da movimentação do solo, do peso do caminhão de concreto e de falhas na execução dos tirantes. Estas últimas foram consideradas a principal causa da ruptura.De acordo com a Prefeitura, os fatos apontados no documento servirão para aprimorar os procedimentos e as garantias nas futuras liberações de obras para execução de paredes moldadas no solo (paredes diafragmas). (Aline Freitas/Especial para AAN e Marita Siqueira/AAN)