Publicado 08 de Setembro de 2014 - 5h32

O primeiro final de semana do Movimentos Convergentes 2 (MC2) em Campinas atraiu centenas de pessoas, especialmente jovens, para apreciar a arte contemporânea. Como a proposta é a interação entre artistas e variadas expressões, cerca de 86 participantes levaram à Estação Cultura Prefeito Antônio da Costa Santos ações artísticas, instalações, intervenções, performances, grafite, debates, workshops e apresentações musicais. O evento fica no local até dia 17 de setembro, com entrada franca.Além de apreciar as performances, o público pode fazer parte delas. Rafael Cavaglhiere, por exemplo, distribuiu sapatos às pessoas que passavam pela estação e as convidava a arremessá-los em bexigas. Nesse movimento, tintas eram despejadas sobre os artistas. Já o artista plástico Mário Gravem Borges dedicou-se a apresentar aos visitantes seu ateliê/galeria, montado num dos vagões. “Como o vagão está parado, somos nós que nos mexemos. Assim, trabalho a questão do movimento e do tempo”, explicou. Além de pinturas autorais, Borges expõe no MC2 obras de outros artistas e do acervo pessoal, como uma gravura de Picasso. Fora do vagão, havia uma instalação na qual as pessoas podiam intervir com a pintura. Enquanto tudo isso acontecia, grafiteiros expunham seus trabalhos no entorno da plataforma. O público aprovou a iniciativa. “É muito bonito isso tudo. São várias formas de expressão”, comentou Lílian Almeida, de 15 anos. “Tudo ao mesmo tempo. Muito legal”, concordou a amiga Thalyta Pinheiro, de 16. Morador de Ubatuba, o estudante João Briet, de 22 anos, também gostou do que viu. “É muito diferente uma coisa da outra. Hoje em dia, é assim que vivemos, cada esquina tem algo novo, diferente”, disse ele, que estava em Campinas a passeio.Vislumbrando no evento uma oportunidade de aproximar os jovens da arte contemporânea, o professor Carpegiane Borges levou à abertura do MC2 oito adolescentes do Campos Elíseos atendidos por um projeto realizado numa igreja do bairro. “É uma forma de proporcionar formação cultural para essas crianças que não veem, não têm, não conhecem”, avaliou. Animado e com tintas nas mãos, o grupo coloria a instalação.Programação

A abertura do MC2, no sábado, contou com intervenções dos artistas plásticos Cláudia Silva, Norma Vieira, Olivia Niemeyer e Valdemar Queiróz; e as performances de Lea Moraes, Sechi, Rafael Cavaglhieri, Marcos FMNO, Jean Nascimento e Lila Sampaio, além de batalha de hip hop com grupos organizados por Kico Brown e Cia Eclipse e shows das bandas Bang Loko Sound e Natural Mystic. Ontem foi a vez de performances de Matheus Alecci, Ana Roland, Marcelo Gandhi, Mirs Mostrengo, Daniel Viana, Matheus Reis, Iam Campigotto, Cristiano Cerejo e Ana Malachias, Jean Nascimento/Lila Sampaio, JadsonChic Renato Souza e Jerci Maccari, e apresentações das bandas Marcelo Diniz, Kretynos, Ferdi Oliveira e Factus.A primeira edição do MC2 foi realizada em Limeira, há dois anos, com cerca de 35 participantes. Os artistas desta edição são, majoritariamente, da Região Metropolitana de Campinas (RCM), mas também há participantes de São Paulo, Piracicaba e Brasília. Eles avaliam o projeto como uma oportunidade para quem está fora do circuito tradicional de artes poder mostrar seu trabalho ao público.