Publicado 08 de Setembro de 2014 - 5h32

A Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC) é um patrimônio que sustenta toda uma história de apreço da sociedade por cultura, escrita através dos anos por artistas e incentivadores que construíram um legado que aos poucos vai deixando de existir. As dificuldades políticas e o esvaziamento da estrutura existente levaram a um estado de pragmatismo que deixou a cidade sem um teatro adequado e um setor onde as carências denunciam a falta de investimentos e de projetos consistentes.

Depois de amargar por anos a falta de um local adequado para sua sede, a orquestra campineira ainda segue na trilha do improviso por conta de uma situação no mínimo marcada pela incompetência. Depois de tantos movimentos em prol da Sinfônica, definiu-se pela restauração de um antigo galpão utilizado no passado como oficina de trens, dentro do patrimônio abandonado da antiga Fepasa. O chamado Barracão de Lemos, na Estação Cultura, recebeu incentivo de R$ 1 milhão da iniciativa privada, sendo restaurado com a troca de telhado e ripas, instalações hidráulica e elétrica, retirada de benfeitorias que o descaracterizavam, buscando manter as formas que o levaram a ser bem imóvel tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc). Ao fim da obra, chegou-se ao impasse de que as adaptações que teriam que ser feitas para a adequação acústica não poderiam acontecer sem desvirtuar o projeto original (Correio Popular, 3/9, A7).

A situação somente não é dramática por que as atividades da OSMC hoje ocorrem no Teatro Castro Mendes, recentemente reformado e que supre as necessidades do grupo no momento. Mas atenta-se para o fato de que o que deveria ser a sede definitiva da orquestra, com espaço para apresentações, está no abandono, praticamente sem utilização, longe de representar a solução para que Campinas possa ter um elemento cultural que a projete internacionalmente. É, ainda, um descaso com o investimento privado realizado que, ao fim, mostrou-se desperdiçado, enquanto a necessária adaptação acústica entra no rol das providências de longo prazo da Administração Municipal.

Este é um retrato das dificuldades e das decorrências da falta de planejamento para um setor que deveria espelhar o conceito que Campinas desfruta no plano cultural. Em tese, é também um obstáculo que inibe as parcerias com a iniciativa privada que devem ser estimuladas, mas que necessitam de um mínimo de objetividade e de projetos seguros.