Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h33

A Casa da Criança Meimei — que acolhe crianças em situação de vulnerabilidade ou risco social — acaba de completar 50 anos de existência. Ela é reconhecida pelo poder público como referência no setor. A creche nasceu do empenho de um pequeno grupo de amigos espíritas e cresceu com o engajamento decisivo da sociedade civil. Mesmo hoje, quando chegam repasses importantes da Administração para o custeio de despesas mensais básicas, a casa conta com a ajuda estratégica de cidadãos que, voluntariamente, batalham recursos que bancam reformas pontuais, obras de ampliação, reforma dos equipamentos e modernização dos serviços.

Hoje em dia, a casa acolhe 230 crianças com idades entre 4 meses e 6 anos. Elas chegam de lares reconhecidamente carentes, onde a renda mensal familiar não passa de um salário mínimo e meio. Na creche, os pequeninos ficam o dia todo, fazem quatro refeições e se divertem a valer, com o monitoramento de 36 funcionários contratados. Quem anda por aquelas salas e corredores lotados, no entanto, não imagina que, nos bastidores, há dezenas de cidadãos envolvidos com a obra, que trabalham muito, sem um centavo de remuneração.

Há quatro anos, o prédio passa por uma reforma radical. Já foram reformados o pátio, o berçário, as salas de aula. Se trocou o encanamento apodrecido, remanescente da fundação. E todo o dinheiro necessário para as obras chegou da venda de pães, bolos e salgados preparados por senhoras que frequentam o centro espírita Casa do Caminho, colado à creche. Outro grupo de voluntários saiu recolhendo doação de roupas, calçados e móveis usados, e vendeu tudo a preços simbólicos, organizando bazares. Rifas e jantares ocasionais também fortaleceram o caixa.

“Felizmente, o empenho voluntário nos ajuda a cobrir despesas que passam dos R$ 95 mil mensais”, fala a presidente Páscoa Colli Tozoni, que há dez anos ocupa o cargo. E a estratégia para levantar recursos vai continuar a mesma, nas sonhadas próximas etapas da reforma: pintura do prédio, construção de sanitários externos, instalação de equipamentos de acessibilidade. Não se sabe quando começam as intervenções, nem quanto vai custar cada uma delas. “Cada centavo que entra, a gente vai investindo na ampliação das dependências”, fala o tesoureiro — e também voluntário — Eduardo Mendes da Rocha. Consultor administrativo, ele é neto do idealizador da creche.

Para a presidente Páscoa, é enorme a emoção de encontrar, hoje, pessoas que possuem família, trabalham, levam a vida dignamente, e que falam orgulhosas de ter sido acolhidas na Meimei, quando crianças. “Muita gente nos visita, dá depoimentos emocionados. Essa é a recompensa”, diz ela.

Adolescentes

Neste ano, 40 pré-adolescentes participam do Programa Esporte e Cidadania, mantido com recursos do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Os jovens participam de aulas de capoeira, números circenses e teatro.