Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h33

A escassez de água já é realidade no bairro Chácara Recreio Santa Fé, zona rural de Campinas, próximo do limite com Hortolândia. Lá, os moradores têm que compartilhar a água que ainda resta nos poços caseiros por meio de uma rede de solidariedade para que todos possam beber, dar aos animais, tomar banho, irrigar a plantação, utilizar na cozinha e para lavar roupas.

No local não há água encanada e, segundo os moradores (a maioria vive em chácaras), há meses as pessoas aguardam que a Prefeitura atenda um antigo pedido e envie regularmente um caminhão-pipa para encher as caixas, que estão praticamente vazias. Até um abaixo-assinado foi feito e enviado, mas nada aconteceu até hoje, segundo os moradores.

A crise hídrica que afetou todo o Estado devido, principalmente, à falta de chuvas, atingiu severamente as cerca de 60 famílias que vivem no local e dependem de poços caseiros, perfurados até 20 metros de profundidade. Se antes os poços viviam sempre cheios e abastecidos, hoje a quantidade de água é tão pequena que mal dá para encher duas caixas d´água de mil litros.

Afetados

O caseiro Jorge Antonio da Cruz, de 55 anos, é um dos mais afetados pela seca. Em sua casa há quatro poços, mas cada um consegue no máximo capturar cerca de 100 litros. “Normalmente era 1,5 mil litros de armazenamento direto. Jorrava água das torneiras, agora está muito difícil e temos que avaliar onde usamos o que sobrou”, disse. Ele afirmou que as chuvas dos últimos dias não foram suficientes para melhorar a situação. “A escassez está muito severa e já estamos sentindo essa dificuldade na pele. Vamos ter que começar a comprar água pra tudo, não tem como viver sem ela”, lamentou.

Na chácara em que vive, algumas hortas já foram sacrificadas. “Reduzimos a produção porque não temos condições e precisamos dar de beber aos animais que criamos. E olha que a gente não depende do Sistema Cantareira, realmente está muito ruim”, afirmou.

Outro morador que tem sofrido com a crise hídrica é o segurança Lourival Pereira de Sousa, de 51 anos. Ele vive com a família no local e pega três vezes por semana água “emprestada” de uma propriedade vizinha. “Levo dois tonéis de 1 mil litros na carroceria da caminhonete e quando volto divido com outras duas famílias. Cerca de 10 pessoas sobrevivem com esses seis mil litros de água por semana”, analisou.

O segurança contou que para dar certo todo o consumo tem que ser monitorado. “Desde o banho até a quantidade para lavar roupa e ingestão. Senão não tem jeito”.

O filho mais velho de Sousa, que é casado, não aguentou a situação e há 15 dias se mudou do bairro. “Ele alugou uma casinha num bairro de Hortolândia para fugir dessa crise. Se não melhorar vou fazer o mesmo, não dá pra ficar nessa situação, apesar de que todos aqui se ajudam”, afirmou. Ele disse que vários pedidos foram feitos para que o bairro tenha acesso a caminhões-pipas. “A resposta foi que era para separarmos as caixas d´água que o caminhão estava para passar. Isso foi há mais de um mês e nada. Não acho certo porque pagamos imposto, tudo certinho. Agora quando precisamos de colaboração, esquecem. Não acho certo as pessoas terem que se virar para conseguir água, é injusto”, afirmou.

Na chácara do administrador Iradi Resseto, de 69 anos, o problema é o mesmo. “Conseguimos pegar água do poço por três minutos por dia e só.Temos que economizar ao máximo porque não tem jeito.” Até a piscina do administrador foi desativada. “Colocamos uns vazos e vamos ver a utilidade que iremos dar. Água mesmo esquece, não tem jeito”, lamentou.

Solicitações

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto S/A (Sanasa) informou que os setores responsáveis pelo fornecimento de caminhão-pipa não receberam as solicitações encaminhadas pelos moradores do bairro e reforçou que é necessário, primeiramente, protocolar um pedido na Sanasa para que haja uma análise de viabilidade técnica de atendimento do caminhão nessa região da cidade.