Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h33

A praga do vandalismo em pichações de rua é um fenômeno que pode ser encontrado em praticamente todo o mundo. Os perfis dos infratores em muito se assemelham: adolescentes que desejam expressar sua rebeldia, desejo de identidade com seu grupo, necessidade de reconhecimento, desapego à ordem e à propriedade pública e alheia. O que pode variar é a medida em que os estragos são realizados, a fiscalização do poder público e a punição, que varia da prisão à devida indenização aos prejudicados.

No Brasil, a falta de interesse e estrutura para coibir os atentados criou um jogo adolescente que inclui gangues de pichadores que competem entre si, degradando espaços públicos, deteriorando imóveis particulares, em sanha que é acobertada pela impunidade e inação policial. De tempos em tempos, surgem ímpetos de se planejar ações intimidadoras, unindo o esforço do aparato policial, das guardas municipais, Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Adolescência, mas até hoje tudo não passou de discursos bem-intencionados e ações sempre postergadas. Nem os exemplos bem sucedidos adotados em outros municípios inspiram as autoridades a adotar providências protetivas para os cidadãos.

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC) o problema tem uma proporção fora do controle, a ponto de os próprios policiais admitirem não ter motivação para deter pichadores que não sofrerão qualquer medida punitiva. A exceção no momento é Vinhedo que montou um plano de fiscalização de inclui a participação da população por recursos de internet e das câmeras de segurança da cidade, e já conseguiu deter e identificar 15 jovens responsáveis por inúmeras pichações. Os jovens foram multados em R$ 6.875,00 e liberados, mas responderão a processo em liberdade, além de passar a serem monitorados através de seus perfis nas redes sociais. Um dos detidos é reconhecido como o mais ativo no município, tendo em seu celular ao menos 30 fotos de locais pichados por ele (Correio Popular, 4/9, A11).

O que é importante é que esses jovens vândalos vejam que seu comportamento é totalmente infantil e inadequado, e devem medir a responsabilidade por seus atos. É preciso que o problema chegue aos pais e que se estabeleça um sistema de ressarcimento dos prejuízos que estes moleques trazem aos demais. Eles que paguem caro por sua leviandade e que sintam um mínimo do peso que a civilidade impõe a quem pertence à sociedade.