Publicado 06 de Setembro de 2014 - 5h33

“Uma terra de ninguém”. É assim como consideram os moradores do Bairrinho, pequeno vilarejo pertencente ao município de Artur Nogueira, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), localizado a poucos metros da divisa com Holambra. O local possui aproximadamente 200 residências e a população reclama da falta de auxílio para inúmeras questões, como falta de policiamento, infraestrutura e atendimento na saúde.

Bairrinho fica a menos de três quilômetros do Centro de Holambra e a sete de Artur Nogueira, e fica às margens da Rodovia Prefeito Aziz Lian (SP-107). Essa proximidade com a Cidade das Flores faz com que muitos moradores utilizem os serviços públicos de Holambra, como escolas por exemplo. “Moro há 13 anos no Bairrinho e meus dois filhos vão para a escola em Holambra. E olha que eu moro ao lado da escola do bairro, mas não tem período integral”. O desabafo é de Maria Izabel Urbano, de 45 anos, que na tarde de ontem aguardava o ônibus que a levaria ao médico em Artur Nogueira debaixo de uma árvore, pois o ponto de ônibus, às margens da rodovia, está sem cobertura.

“Moro em Artur Nogueira, mas meu voto é em Holambra, assim como a maioria no Bairrinho. Mas nem isso influencia, pois estamos carentes de um monte de melhorias que só ficam em promessas”, reclamou. Segundo ela, depois de muita luta o ônibus de Holambra vai até o bairro buscar os filhos para a creche, e “brigamos com a atual administração para manter esse benefício”.

Já o tratorista Valdeir Carrasco, de 36 anos, disse ter sentido na pele as dificuldades em ser transferido para o hospital de Artur Nogueira com uma ambulância do município. Há dois meses ele sofreu um acidente na rodovia que corta o bairro e fraturou a bacia. Ficou internado, foi para casa e teve uma complicação nos pulmões. Passando mal, sua esposa ligou para a ambulância ir socorrê-lo. “Eles não vieram, e minha esposa foi até o Centro de Artur Nogueira chamá-los. Só assim vieram”, relatou. O caso do tratorista ganhou repercussão na Câmara de Holambra, quando o vereador Mário Sérgio (SDD) fez críticas à falta de assistência ao morador. “Começamos a elaborar um improviso de maca a partir de um banco traseiro do meu veículo, mas depois achamos melhor não arriscar”, disse.

Moradores também apontam problemas na coleta de lixo, que não possui cronograma de recolhimento, e a falta de segurança que tem amedrontado os moradores. Ontem, por volta das 13h30, a reportagem do Correio constatou que a base comunitária da Guarda Municipal estava trancada, sem nenhum funcionário. “Nossas crianças ficam expostas à noite quando voltam da escola, na beira da rodovia, sem a presença de guardas”, completou Maria Izabel.

Saúde

De acordo com o comerciante Celso Jalhomm, no início da gestão do prefeito de Artur Nogueira Celso Capato (PSD), funcionários da administração o procuraram para alugar sua casa, onde funcionaria um Posto de Saúde da Família (PSF) para atender a população. “Eles gostaram tanto que precisei até apressar a construção de uma casinha nos fundos para me mudar e eles entrarem no imóvel”, relembrou o comerciante. “Recebi aluguel durante seis meses, no valor de R$ 1,1 mil por mês, mas nunca instalaram a unidade. Depois desistiram e pensaram em fazer uma base da Guarda Municipal, mas também não foi para frente”, conta. Há 40 anos vivendo no bairro, o comerciante relata que o local sempre foi deixado de lado pelas autoridades.

As prefeituras das duas cidades foram procuradas na tarde de ontem, mas nenhuma retornou aos questionamentos até às 18h45.