Publicado 06 de Setembro de 2014 - 5h32

Repartições que faziam parte da antiga Casa da Cidadania passam a funcionar, a partir das 10h de hoje, como sede da Escola de Capoeira Angola Resistência, de Valdisinei Ribeiro Lacerda, conhecido como Mestre Topete. Com a ajuda de patrocinadores voluntários, o grupo dá acabamento nas dependências, sob uma das alças do Viaduto Cury. O espaço integra o processo de revitalização do Terminal Central, iniciado em setembro do ano passado.

A Angola Resistência nasceu comercializando instrumentos musicais artesanais em um box alugado, mas se tornou escola há cinco anos. Na base da ação voluntária, Topete e outros três mestres passaram a dar aulas gratuitas a dezenas de crianças da periferia. Hoje, 40 aluninhos dançam nas rodas. Há adultos também, e cada um paga o que pode, e quando pode. A única fonte de renda continua sendo a fabricação de berimbaus, agogôs e reco-recos.

Quem entra na repartição dá de cara com um ambiente humilde, com estantes e prateleiras antigas, um sofá improvisado no canto, dois ou três banquinhos de madeira para acomodação das visitas. Escola adentro, o visitante de depara com fotografias e dezenas de diplomas de mérito conquistadas por Topete ao longo de 25 anos de carreira. Hoje, com 43 anos de idade, o cidadão comemora ter viajado para 12 países em caravanas para difusão da arte.

Permissão

Antes da permissão de uso do novo espaço, a escola funcionava em um box improvisado, colado à velha Casa da Cidadania, e onde hoje existe o novo estacionamento de veículos do Hortomercado.

O ambiente — por onde circulam mensalmente cerca de 100 mil consumidores — tem agora um status bem diferente. Há novos sanitários, salas especiais onde funcionam postos da Setec, da própria Ceasa e da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social. A área — de 3,5 mil metros quadrados, explorada por 25 permissionários — recebeu piso asfáltico, nova tubulação de esgoto e águas pluviais, iluminação e pintura.

A nova escola de capoeira é, na prática, o prolongamento do hortomercado revitalizado, que recebeu durante a reforma investimentos da ordem de R$ 700 mil.

O presidente da Ceasa-Campinas, Mário Dino Gadiolli, fala que o hortomercado ainda pode receber intervenções pontuais, como a instalação de holofotes em acessos. O fato, diz, é que o espaço é frequentado por muita gente que, antes, nem passava pelo trecho. “Conseguimos valorizar a área. Outros permissionários se juntam aos que já são instalados no terminal, e promovem aos sábados feiras de frutas, legumes e verduras. É um varejão que movimenta o Centro. E o novo espaço da escola de capoeira ajuda a compor o cenário”, diz.