Publicado 10 de Setembro de 2014 - 5h32

Se a régua para medir o desempenho da Seleção Brasileira nos Estados Unidos considerar apenas os resultados, Dunga passou nos primeiros testes. A equipe venceu o Equador por 1 a 0, ontem, em Nova Jersey, no segundo triunfo consecutivo. Se o critério for a qualidade do futebol, o time ainda tem quilômetros a percorrer. A lição de casa para o próximo jogo — no dia 11 de outubro contra a Argentina, pelo Superclássico das Américas, na China — é corrigir a defesa, que foi às cordas diante do limitado ataque equatoriano.

Valeram a pena os treinos que Dunga realizou em Miami e Nova Jersey. O gol da vitória saiu de uma jogada ensaiada várias vezes. Aos 30’, Oscar cobrou a falta para o meio, Neymar desviou e Willian finalizou com precisão. O time inteiro foi abraçá-lo no canto do gramado.

A eficiência da bola parada compensou os erros de passes que impediram que o jogo da Seleção fluísse. Danilo perdeu a chance de um contragolpe aos 18’ e Ramires foi impreciso aos 25’ — estes são só dois exemplos.

Outro problema sério foi a lentidão na troca de passes. Cada jogador parava, pensava, olhava e quando fazia o passe, a marcação já havia se antecipado. Além disso, o gramado do MetLife — grama natural sobre a sintética, usada nos jogos do futebol americano — tirou a velocidade da bola.

A equipe também sentiu a falta de Maicon, cortado por indisciplina no último domingo. Seu substituto Danilo até que deu conta do recado na defesa, mas o time não ocupou bem o espaço no ataque. Willian e Ramires tentaram, mas não sabiam o que fazer na linha de fundo. Aos 44’, Willian perdeu a chance de tocar para Neymar, sozinho na área.

Parte das dificuldades do ataque brasileiro se explicam pela eficiente marcação do rival. Mesmo em reconstrução depois de ter sido eliminado na fase de grupos da Copa do Mundo e sem as estrelas Antonio Valencia e Felipe Caicedo, o Equador marcou bem os meias brasileiros e ainda teve iniciativa no ataque. Foi mais eficaz que a Colômbia.

Destaque para o lateral Paredes e para o atacante Enner Valencia que acertou uma bola na trave, aos 35’, e uma cabeçada aos 14’ da etapa final, que Filipe Luís tirou em cima da linha. Os dois lances mostraram que os ajustes defensivos serão a lição de casa para Dunga. Jefferson deixou a bola passar no primeiro lance e os zagueiros a perderam pelo alto no segundo. Além disso, o ataque do Equador foi mais contundente e equilibrou o jogo.

O Brasil perdeu força no meio por causa das inúmeras alterações. Dunga trocou praticamente todo o time do meio para a frente. É o ônus das observações de todos os convocados. Phillipe Coutinho e Everton Ribeiro foram bem; Ricardo Goulart, nem tanto.

Na arena em que marcou seu primeiro gol com o time principal, Neymar somou erros e acertos. Embora parte da torcida se levantasse quando ele pegava na bola, as reverências foram em vão. Seu grande mérito foi a assistência para Willian fazer o gol. (AE)

BRASIL

Jefferson; Danilo (Gil), Miranda, Marquinhos e Filipe Luís; Luiz Gustavo (Fernandinho), Ramires (Elias), Oscar (Everton Ribeiro) e Willian (Ricardo Goulart); Neymar e Diego Tardelli (Philippe Coutinho). Técnico: Dunga.

OS JOGOS

Quartas de final

Ontem

EUA 119 x 76 Eslovênia

Lituânia 73 x 61 Turquia

Hoje

Brasil x Sérvia

Espanha x França