Publicado 08 de Setembro de 2014 - 5h32

O Brasil chegou ao Mundial da Espanha com uma geração de jogadores em fase final de carreira, marcada por um jejum histórico contra a Argentina. Nenê, Varejão, Marquinhos, Leandrinho, Alex, Splitter, Huertas e cia agora estão nas quartas de final de um Mundial, a um jogo de brigar por uma medalha que não vem desde 1970. Esses craques todos devem muito a Raulzinho. Afinal, foi o único garoto da geração de veteranos que, com 21 pontos e atuação irrepreensível, comandou o Brasil em históricos 85 a 65 sobre a Argentina em Madri, ontem. Luis Scola, astro argentino, fez apenas nove pontos.

Na próxima fase, quarta-feira, os comandados de Ruben Magnano vão reencontrar a Sérvia, a quem já venceram na primeira fase, com outra grande atuação. Depois, quem avançar pega Espanha ou França na semifinal.

Para explicar a atuação de Raul Togni Neto, o Raulzinho, de apenas 21 anos, nada melhor do que números. Durante os 24min20s em que o armador esteve em quadra, o Brasil fez 25 pontos a mais do que a Argentina. Dos 10 arremessos de quadra que ele tentou, acertou nove, sendo dois de três pontos. Na linha do lance livre, acertou as duas tentativas.

A vitória de ontem lava a alma de uma geração que vai entrar para a história por ter aberto as portas da NBA para o Brasil. Mais do que isso, uma geração marcada por críticas por ter, cada um pelo seu motivo, em diversas ocasiões, recusado convocações para defender o Brasil em torneios oficiais.

Se fosse por méritos de quadra, o Brasil não deveria nem estar no Mundial. Afinal, com um time B, não conseguiu a vaga pela Copa América. Ganhou um convite para a competição porque prometeu escalar Splitter, Nenê e todas as estrelas do basquete brasileiro.

Mas, em quadra, o Brasil mereceu muito a vitória sobre a Argentina, curiosamente em um 7 de setembro. Afinal, há quatro anos, foi exatamente em um feriado da Independência que a Argentina venceu o Brasil nas oitavas de final do Mundial da Turquia, com 37 pontos de Luis Scola. O pivô, depois, faria 17 nas quartas de final dos Jogos Olímpicos, quando a Argentina ganhou de novo.

A vitória derruba o tabu da freguesia da atual geração verde-amarela, que colecionou fracassos contra os algozes argentinos no Pré-Olimpíco 2008, Mundial de 2010, Copa América 2011 e Olimpíada 2012. "A gente não veio aqui só para ganhar da Argentina. Nosso objetivo é muito maior. Vamos curtir essa vitória que nos coloca entre os oito melhores do Mundial. Mas a partir de amanhã (hoje) vamos pensar na Sérvia. É um momento de muita felicidade e o grupo todo está de parabéns", disse Raulzinho.

O Brasil começou a partida tenso e errou muito. O técnico Rubén Magnano colocou a sua melhor formação em quadra, com Huertas, Varejão, Leandrinho, Spliter e Marquinhos. O primeiro quarto terminou com vitória argentina por 21 a 13. Já no segundo período, a seleção de Magnano voltou melhor e chegou a diminuir a diferença para 36 a 32. Mas Priogioni seguia levando perigo e, com 15 pontos anotados, era o cestinha até então.

Já no terceiro quarto, o Brasil finalmente pareceu ter encaixado o seu jogo. Destaque para Varejão e Marquinhos. O pivô apanhou oito rebotes, enquanto o ala anotou onze pontos e comandou a virada por 57 a 49. No último período, a equipe administrou a vantagem e a Argentina não conseguiu passar pelo forte bloqueio defensivo. A equipe de Magnano continua viva na busca pelo título mundial. (Das agências Estado e Folhapress)

OS JOGOS

Ontem

Nova Zelândia 71 x 76 Lituânia

Turquia 65 x 64 Austrália

Sérvia 90 x 72 Grécia

Brasil 85 x 65 Argentina

Quartas-de-Final

Amanhã

Eslovênia x Estados Unidos

Turquia x Lituânia

Quarta-feira

França x Espanha

Brasil x Sérvia

Chave masculina tem uma decisão inédita hoje

Favoritos ao título do Aberto dos Estados Unidos, os tenistas Novak Djokovic e Roger Federer serão apenas espectadores na inédita decisão que acontece hoje, a partir das 18h (SporTV 2 e ESPN), em Nova York. Os dois tenistas foram eliminados na semifinal, sábado, e em seus lugares, o japonês Kei Nishikori e o croata Marin Cilic, estreantes em decisões de Grand Slam, farão a final do último torneio do Grand Slam do ano.

Número 11 no ranking da ATP, o japonês Nishikori é o primeiro asiático a alcançar uma final de Grand Slam na história. Com 87 vitórias e 69 derrotas na carreira, Nishikori nunca havia chegado a uma semifinal de um dos quatro torneios principais da ATP. Seu melhor desempenho foi em 2012, ao alcançar as quartas de final do Aberto da Austrália. Nishikori é treinado pelo ex-jogador Michael Chang, norte-americano de origem taiwanesa.

Mesmo se perder a decisão contra Cilic, o japonês já terá garantido sua melhor posição no ranking da ATP. Na próxima lista a ser divulgada, ele estará pelo menos na oitava posição.

“Não esperava quase nada do Open (o tenista passou por uma pequena cirurgia para tirar cisto do pé pouco antes do torneio). Eu só comecei a disputar pontos alguns dias antes do torneio. Nem sabia se viria a Nova York. Mas depois do segundo jogo, fiquei mais confiante com o pé, não sentia dores, consegui deslizar mais na quadra. Procurei então jogar uma partida por vez”, disse Nishikori, sobre sua sequência de vitórias sobre os favoritos.

Não menos surpreendente foi a vitória do croata Marin Cilic (14 do mundo) sobre o suíço Roger Federer (3 do ranking). A melhor participação de Cilic em torneios do Grand Slam havia seido a semifinal do Aberto da Austrália, em 2010.

Para Federer, a inédita final em Flushing Meadows é "refrescante" para o tênis, dominado há anos pelos mesmos jogadores. "É excitante para o esporte ter caras novas. É ótimo para a Croácia e para o Japão." (Folhapress)