Publicado 26 de Setembro de 2014 - 5h00

Por Sarah Brito

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Consórcio, PJC, estuda, usar, água, cava, mineração, abastecimento, cidades

O Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) estuda transformar as cavas de mineração — a escavação a céu aberto em forma de um enorme buraco, com degraus de extração de minerais — encontradas em mapeamento por satélite e aéreo em reservatórios naturais de armazenamento de água, como alternativa emergencial de abastecimento. A proposta engloba duas variantes.

 

A primeira é utilizar as minas abandonadas, que precisariam de recuperação ambiental e análise de qualidade da água já existente do lençol freático. O segundo projeto é utilizar as cavas em final de vida útil. As mineradoras são obrigadas a recobrir a vala escavada após retirar os minerais.

 

Parceria

O consórcio quer propor uma parceria: mediante a recompensação ambiental, as empresas deixariam a cava aberta para reserva hídrica. Foram 62 cavas de mineração encontradas na região, sendo que 50% não têm possibilidade de uso. A estimativa do órgão é que haja água suficiente para atender 60 dos 76 municípios abastecidos - direta ou indiretamente - pela Bacia Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

"É o equivalente a 30 metros cúbicos por segundo [m3/s], o que a bacia consome neste período atípico, levando em consideração o uso rural, urbano e industrial", afirmou o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahoz. Segundo ele, a proposta é uma alternativa para complementar o abastecimento de água na região.

 

Transposição

 

O Consórcio PCJ informou que a transposição destas reservas de água para as estações de tratamento, rios e represas que abastecem os municípios das Bacias PCJ poderá ser feita através de um sistema de bombeamento com a utilização de tubulações temporárias de sistema de engate rápido ou permanentes de diversos materiais (alumínio, aço e tubos de polietileno - Pead).

Também está em análise a utilização de caminhões-pipa de grande porte em locais que tiverem consumo reduzido. "Temos água suficiente para não entrar em calamidade. Enviamos ofícios para as cidades, indústrias e produtores rurais que precisam de suporte para ver a necessidade", afirmou o secretário.

 

Análise

O recurso hídrico das cavas de mineração terá ainda de passar por análises químicas para verificar a possibilidade de consumo humano. O uso de explosivos para auxiliar a retirada do minério pode deixar resíduos na água. Na região, os principais minérios encontrados são utilizados para a construção civil, como calcário, cascalho e pedras basálticas, chamadas de "agregado" .

A informação é que seriam até 2 m3/s de água bombeados dos encanamentos das cavas de mineração, equivalente a metade do que é captado em média por dia em Campinas, que retirada do Rio Atibaia 4 metros cúbicos por segundo. 

No mesmo mapeamento, o Consórcio também encontrou 58 reservatórios disponíveis no Interior do Estado de São Paulo. Em Campinas, seriam pelo menos 10 com potencial de uso da água para abastecimento. Eles ficam na zona rural da cidade, próximos aos distritos de Sousas e Joaquim Egídio. O Consórcio informou que verificará se os reservatórios possuem registro - ou outorga - de utilização.

 

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