Publicado 09 de Setembro de 2014 - 10h37

O promotor Henrique Simon, que faz acusação contra o ex-prefeito

Rodrigo Zanotto/ Especial para a AAN

O promotor Henrique Simon, que faz acusação contra o ex-prefeito

Uma testemunha confirmou à Justiça de Paulínia na segunda-feira (8) ter recebido dinheiro em troca de voto durante audiência do caso que apura suposto pagamento de propina nas eleições de 2012.

 

O prefeito Edson Moura Jr. (PMDB), seu pai e ex-prefeito, Edson Moura (PMDB), e o atual vice, Francisco Bonavita Barros (PTB), são suspeitos de doarem quantias em troca de voto nos chamados arrastões nos bairros.

 

A testemunha, que é protegida pela Justiça, disse ter ganho R$ 150,00 pouco antes da votação.

 

Segundo a Promotoria, os valores variavam e podiam chegar a R$ 500,00. Nenhum dos três suspeitos quis comentar o assunto.

 

Ao todo, sete testemunhas foram intimadas, porém, uma só compareceu. O depoimento, que durou cerca de 40 minutos, será anexado ao processo junto com um vídeo que mostra o ex-prefeito atendendo em um quarto da casa de um cabo eleitoral sete pessoas.

 

Para todas, ele supostamente entrega quantias em dinheiro. Segundo o promotor do caso, Henrique Simon, o vídeo é verídico.

 

“Esse vídeo foi analisado por um perito oficial nominado pelo juizado. Ele constatou a autenticidade das imagens que não teve edição.”

O promotor afirmou que outras testemunhas foram ouvidas anteriormente pelo MP e todas afirmaram que receberam representantes dos acusados em suas casas.

 

“Eles se apresentavam e ofereciam dinheiro a elas para que votassem na chapa do prefeito.”

 

Uma delas afirmou que em um dos arrastões, teria se aproximado de Edson Moura e dito que passava por dificuldades financeiras. Ele teria entregue dinheiro e dito que “contava com o apoio dela”.

 

Outra testemunha disse que o candidato entrou na lavanderia da casa dela, questionando o que estaria precisando. O ex-prefeito teria colocado R$ 400,00 no bolso do casaco dela e “pedido uma força” para a candidatura.

A testemunha de ontem contou que foi abordada ao chegar perto do local de votação.

 

“Ela recebeu a proposta no dia da eleição, pouco antes de entrar na escola para votar. Ela pegou o dinheiro e votou. Isso é crime”, disse o promotor.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral à Justiça Eleitoral logo após as eleições municipais de 2012 junto com o vídeo do suposto pagamento de propina.

 

A Promotoria pede a suspensão dos direitos políticos dos acusados por oito anos e também a perda do mandato dos suspeitos. A juíza do caso é Marta Brandão Pistelli.