Publicado 09 de Setembro de 2014 - 8h16

Por Inaê Miranda

Clientes lotaram a sede da operadora na segunda-feira (8)

Edu Fortes/ AAN

Clientes lotaram a sede da operadora na segunda-feira (8)

Sem uma rede capaz de atender à demanda de pacientes em Campinas, o plano de saúde Assimédica entrou em colapso.

 

Os usuários reclamam da falta de médicos, de clínicas, de hospitais e até de laboratórios para realização de exames.

 

Os problemas se agravaram após o descredenciamento da Casa de Saúde, em julho, e do fechamento do Centro Clínico há uma semana.

 

Com tantos problemas, um total de 32.694 consumidores correm risco de ficar na mão.

 

A própria operadora admite problemas na rede, mas disse que tenta saná-los.

 

Ministério Público, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Conselho Regional de Medicina de São Paulo já começaram a adotar medidas contra a operadora.

A sede do plano de saúde, ontem, estava lotada de beneficiários registrando reclamações ou tentando fazer a portabilidade do plano, como é o caso da assistente social Rosemary Gimenes, de 50 anos.

 

“Não tem médico. O Centro Clínico fechou. Não estão fazendo exames e não tem hospital atendendo. Com tudo isso ainda tem coragem de aplicar reajuste de um plano que nem está funcionando”, disse.

 

Até para pedir a portabilidade do plano ela está enfrentando dificuldade. “Estou aqui pela terceira vez”, reclamou.

 

Com a falta de médico e urgência de atendimento, Cirene Alves de Lima, de 55 anos, precisou pagar por um médico. “Vim pegar o reembolso”, contou.

Dados da ANS apontam a operadora como a terceira em reclamações no País. No Procon Campinas, a Assimédica é campeã de reclamações.

 

Nos últimos nove dias foram registradas 31 queixas. O número de pacientes na porta da Assimédica era tão grande, que a operadora fechou os portões com pelo menos duas horas de antecedência.

Ao Correio, o departamento jurídico da Assimédica admitiu que está com um problema em sua rede de atendimento há três meses, mas que em uma semana espera colocar o projeto de recuperação em andamento.

 

Informou que a crise foi agravada por problemas internos e pelo descredenciamento da Casa de Saúde, considerado o hospital de referência, em três dias, não havendo tempo hábil para realocar os pacientes.

 

“Isso agravou muito a situação e desde então estamos tentando restabelecer a rede”, informou a advogada, que não quis se identificar. Sobre o fechamento do Centro Clínico, na semana passada, ela informou que ocorreu pela evasão de beneficiários, ou “redução da carteira”.

O número de médicos e da rede credenciada não foi informado. Sobre a assistência aos pacientes, a Assimédica informou que aqueles que não conseguirem atendimento pela operadora receberão o reembolso, desde que apresentem a documentação no prazo estipulado. Os pacientes reclamam do descaso.

 

“A sensação é de impotência porque a gente não tem para aonde ir, nem o que fazer. A angústia é grande e estou me sentindo perdida”, disse Rosemary.

 

Serviço

Caso o consumidor não consiga realizar o atendimento com os profissionais credenciados pelo plano no prazo máximo previsto ou tenha negadas coberturas previstas em contrato, deverá fazer a denúncia à ANS por meio de um dos canais de atendimento: Disque ANS (0800 701 9656), Central de Relacionamento portal da Agência: www.ans.gov.br

 

No Procon Campinas, as reclamações podem ser feitas em uma de suas unidades. No Centro, está localizada no Poupatempo, na Avenida Francisco Glicério, 935.

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Inaê Miranda