Publicado 09 de Setembro de 2014 - 5h00

Por Rogério Verzignasse

Estudo vai aliviar os gargalos de trânsito na cidade e priorizar o transporte público

Elcio Alves/ AAN

Estudo vai aliviar os gargalos de trânsito na cidade e priorizar o transporte público

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a Universidade de São Paulo (USP) devem firmar, ainda neste mês, um convênio que prevê a elaboração de um novo plano viário para o Município.

 

O contrato estipula a criação de um modelo de mobilidade urbana útil para os próximos 25 anos.

 

Não se pensa, em um primeiro momento, em investimentos milionários ou grandes intervenções físicas, como a construção de novas avenidas e viadutos. Se pretende aliviar os gargalos de trânsito priorizando o transporte público.

O projeto, afirma Carlos José Barreiro, secretário municipal de Transportes e presidente da Emdec, precisa levar em consideração o novo Plano Diretor do município.

 

As diretrizes do sistema de transportes serão tomadas a partir dos índices de ocupação urbana previstos para cada trecho da cidade.

Não existe, ainda, previsão de custos para o convênio. É certo, no entanto, que os estudos serão feitos ao longo de dez meses por especialistas da Fundação de Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), vinculada à Escola Politécnica.

 

E que o grupo será comandado por um especialista em trânsito que já ocupou cargo estratégico na Prefeitura de São Paulo.

De acordo com Barreiro, não existe a pretensão de se construir viadutos ou alargar avenidas.

 

O objetivo é explorar alternativas como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o ônibus rápido (BTR, na sigla em inglês), que já integram os planos públicos para o setor.

 

“A partir da ligação básica proposta entre o Centro com o Aeroporto Internacional de Viracopos, vamos elaborar as linhas interligadas de todas as modalidades de transporte.”

O secretário admite que, desde os anos 70, Campinas não tem intervenções viárias significativas. A última foi a construção da Via Expressa Aquidabã.

 

Barreiro não poupa de críticas nem o Projeto Rótula, criado em 1996 para ordenar o fluxo de veículos em vias estranguladas. Depois de 18 anos, considera o projeto está saturado.

 

O Corredor Central, que inclui as avenidas Moraes Salles, Irmã Serafina, Anchieta, Orosimbo Maia e Senador Saraiva é um dos principais trechos a serem contemplados no novo plano viário.

Na opinião do secretário, a cidade enfrenta gargalos críticos de trânsito nas vias estratégicas porque o cidadão não conta com transporte público de qualidade.

VLT

A retomada do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é estratégica para a implantação do novo plano viário.

 

O sistema, que funcionou entre1990 e 1995, consumiu investimentos públicos da ordem de US$ 125 milhões, gastos com a compra de trens, construção de estações e adequações da linha de 8,5 quilômetros, entre os Campos Elíseos e a região central.

 

O VLT, que sempre operou no prejuízo, foi desativado, e trechos do traçado foram invadidos e ocupados com submoradias.

“O sistema original fracassou porque não estabelecia a integração com as outras mobilidades de transporte”, fala. “Agora, pensaremos as linhas circulares do BRT a partir do traçado definitivo do VLT, e do sonhado trem urbano de passageiros.”

Reuniões

As reuniões de trabalho do novo plano viário do município vão acontecer na própria Secretaria Municipal de Transportes.

 

Os especialistas da USP farão propostas a partir de diretrizes traçadas por técnicos locais.

 

O projeto será elaborado em sincronia com a revisão do Plano Diretor do Município, que até 2016 deve reordenar a legislação de uso e ocupação do solo.

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Rogério Verzignasse