Publicado 07 de Setembro de 2014 - 13h32

Por Milene Moreto

Milene Moreto - ig

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O efeito da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa continua causando estragos na política nacional.

A revista Veja divulgou uma lista com os nomes do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e até do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em um acidente de avião em agosto, como envolvidos no esquema de corrupção e propina.

Na lista ainda aparecem os presidentes da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Resgate da honra

Os citados negam o envolvimento e dizem que jamais receberam qualquer quantia de contratos da Petrobras. Uma das que integram a lista é a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB).

Ela repudiou o fato e disse que tomará medidas judiciais para “resguardar sua honra e dignidade”. Entre os políticos listados pelo ex-diretor estão integrantes do PT, PMDB e PP. Todos já avaliam o estrago da delação no processo eleitoral.

Frase

"Gostaria de saber quais são as informações prestadas. Eu te asseguro que tomarei todas as providências cabíveis. Agora, não com base em especulação". (Da presidente Dilma Rousseff sobre a delação do ex-diretor da Petrobras).

Mensalão 2

O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, já começou a postar em suas redes sociais comentários sobre a delação e sobre a lista dos políticos que estariam no esquema.

Em um vídeo gravado na manhã de ontem, o tucano afirmou que “o Brasil acordou perplexo com a mais grave denúncia de corrupção da nossa história recente. Está aí o nosso mensalão 2”.

Reta final

Falta um mês para a eleição e o cenário que até então parecia começar a se estabilizar, com a previsão do segundo turno entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), poderá sofrer uma boa mudança com as denúncias feitas pelo ex-diretor da Petrobras.

O maior beneficiado é Aécio, já que o PSB era aliado do governo do PT e tem agora o ex-governador de Pernambuco como um dos citados.

Marina disse ontem que o aparecimento do nome de Campos é uma “ilação”. Alguns aliados disseram que a presença do nome do ex-governador no caso não passa de uma “marmelada”.

Resposta

A presidente Dilma deve começar a ensaiar seu discurso, de que defende a transparência e o combate à corrupção, para tentar superar as denúncias.

Em campanha ontem, a petista usou da cautela e disse que só vai se manifestar quando as informações sobre a delação forem confirmadas pelos órgãos competentes. Antes disso, os próximos dias devem ser de tensão para as duas candidatas.

Eu não estou!

Durante a última semana, em Brasília, estava tudo calmo. Surgiram apenas comentários da delação do ex-diretor.

“Mas ninguém imaginava que a tal lista seria divulgada justo agora”, disse um deputado aqui da região. A proporção da delação de Costa, segundo o parlamentar, ainda é desconhecida, mas deve afetar muita gente.

“Mas eu estou tranquilo, ninguém vai encontrar o meu nome nessa lista e nessa confusão”, disse o deputado. A lista completa, que conta com mais de 60 nomes, ainda não foi divulgada. Alguns partidos já querem reuniões de “emergência” da CPI da Petrobras.

Mais operação

Reportagem do jornal O Estado de SP publicada ontem mostra que a Polícia Federal investiga suposta ligação do doleiro Alberto Yousseff, investigado pela Operação Lava Jato, com dois diretores da Aeroportos Brasil, que administra Viracopos.

A suposta ligação se daria por meio de Paulo de Leoni Ramos, o PP, com um diretor financeiro da concessionária, Roberto Figueiredo Guimarães, e com presidente do conselho, João Santana.

A Aeroportos Brasil admite que eles são funcionários, mas não sócios da empresa, e nega irregularidades.

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