Publicado 07 de Setembro de 2014 - 5h00

MOACYR CASTRO - IG

CEDOC

MOACYR CASTRO - IG

Naquela manhã, finalmente, o Paulo Salim Maluf arregalou: todos os dias denunciávamos, n’O Estadão, o descalabro no atendimento do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas. E ele desmentia, em vez de verificar. Armamos uma blitz. Cinco e pouco da manhã: cinco repórteres, entre eles Mauro Mug, Fernando Leal, Pedrinho Mário Zan e Luiz Gevaerd invadiram o maior PS da América Latina. Resultado: uma festa para a absurda história das emergências médicas.

Como se estivesse doente, Mug foi encaminhado para uma ginecologista; um homem chegou com um dos olhos nas mãos e pediram para ele esperar, porque não era urgente (!); com uma câmera escondida na japona, Leal fotografou um jovem deitado em uma maca, com o dito cujo sangrando dentro de um pé de meia (essa foto não saiu) e Gevaerd flagrou atendimento nos corredores (hoje, no Brasil, já é no chão sujo, mesmo). Escândalo!

O Maluf ligou para o Miguel Jorge, então editor-chefe, marcando uma entrevista exclusiva no Gabinete. O Miguel impôs: primeira parte sobre o HC e a segunda sobre política. O ‘Turco’ (no caso, o Maluf) aceitou. Primo Curti, então superintendente daquele nosocômio, teve de ouvir poucas e boas. A agressividade contra nós começou logo que chegamos ao Palácio dos Bandeirantes. O maestro Diogo Pacheco nos viu, pulou na frente do carro do Miguel, ergueu os braços e exclamou: "Socorro, isto é um assalto!" (Referindo-se ao assalto a uma agência do Bradesco, ‘promovido’, sem que ninguém soubesse, deixe pra lá...) Miguel devolveu: "Pelo que sei, o assaltante está lá dentro." (do Palácio).

Estávamos Miguel, Roberto Godoy, Pedrinho, o Mug e eu. Em dado momento, perguntei se o Maluf iria a um debate com o Lulla na sede do jornal. O ‘Turco’ (no caso, o Maluf) disse: "Não, porque ele não tem nada a perder..." (Nada como um dia após o outro: quem imaginaria que aquele impoluto homem público-privado acabaria se associando a Lulla, Zé Dirceu e Haddad no jardim de sua mansão!).

Pedrinho, que acabara de fazer reportagem sobre o livro de páginas em branco "Uma Lufada que abalou São Paulo", do empresário José Yunes, perguntou: "Governador, como o senhor vê seu nome usado em campos de futebol para xingar juízes ou como sinônimo de ladrão?" PQP! Acostumado a "cobrir" o Maluf desde a prefeitura, nunca o tinha visto tão bravo. Ele pulou da cadeira, abotoou o paletó e disse:

"Exijo respeito! Você está no Gabinete do governador do Estado! Posso mandar prendê-lo. Posso até mandar pintar os muros da cidade com a inscrição 'Pedro Zan é pederasta'!". E saiu. Calim Eid, chefe de gabinete, não sabia se corria atrás do homem ou ficava, para fazer as "desonras" da casa. Preferiu ficar: "Vocês exageraram, mas posso garantir que o dr. Paulo gosta muito de vocês.". Nada mais disse nem foi perguntado. Ficou tudo gravado. Pedrinho escreveu a entrevista -- estranhamente, não me lembro se a história do ladrão saiu. Nem se o ladrão saiu.

Pregado no poste: “Quem renuncia primeiro, Dillma ou Aécio?”