Publicado 09 de Setembro de 2014 - 8h34

Maicon era uma espécie de vice-capitão e tinha a função de orientar os mais novos, dentro e fora de campo

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Maicon era uma espécie de vice-capitão e tinha a função de orientar os mais novos, dentro e fora de campo

Depois de ter cumprido o objetivo principal de vencer uma partida após o fracasso no Mundial, Dunga tem de superar a primeira crise de sua nova passagem pela seleção brasileira.

 

Nesta terça-feira (9) contra o Equador, às 22h (de Brasília), no estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, a equipe tenta vencer e provar que o corte por indisciplina do lateral-direito Maicon, um dos homens de confiança do treinador, não afetou a equipe psicologicamente ou arranhou a sua imagem como líder.

Os detalhes do caso grave de indisciplina do lateral da Roma vieram à tona nesta segunda.

 

No último sábado, em Miami, o jogador simplesmente não se apresentou às 20h como o técnico havia determinado. Ele só apareceu na manhã de domingo, por volta das 7h, ou seja, quase 12 horas depois do combinado.

 

Assim que soube do atraso, o técnico Dunga demorou parte da manhã refletindo sobre a punição.

Aos 33 anos, Maicon era um dos mais experientes do grupo e foi convocado como um dos pilares da transição após a Copa.

 

Era uma espécie de vice-capitão e tinha a função de orientar os mais novos, dentro e fora de campo.

 

Antes, havia sido o terceiro jogador com maior número de convocações da primeira era Dunga. Só ficava atrás de Robinho e Gilberto Silva.

Decepcionado, o treinador decidiu cortá-lo e praticamente encerrou o ciclo do veterano na seleção. Os jogadores foram proibidos de tocar no assunto.

 

O clima de alívio depois da vitória contra a Colômbia, na última sexta, se dissipou e o grupo ficou ainda mais sério e carrancudo, escolhendo as palavras nas entrevistas.

 

“Temos de seguir a orientação de não falar sobre o assunto. Não adianta perguntar”, disse o zagueiro David Luiz, quando questionado sobre o tema.

A CBF não se posicionou oficialmente sobre o assunto, mas os jogadores estariam pressionando a comissão técnica, principalmente Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções, a esclarecer o tema e preservar o grupo.

Com o episódio, Dunga deu um recado para o elenco. Ele está mais bonzinho e simpático, mas não vai permitir indisciplinas.

 

A exposição pública do erro do jogador - Gilmar Rinaldi afirmou que o episódio tinha sido de indisciplina, embora não tenha revelado os detalhes do corte - mostra que atraso não tem perdão.

 

Em abril de 2013, Felipão e Parreira agiram de uma maneira diferente depois que Ronaldinho Gaúcho também chegou atrasado durante a preparação da seleção para um amistoso contra o Chile, em Belo Horizonte.

 

Ele foi escalado, atuou por 45 minutos, mas nunca mais foi chamado pela dupla. Recado de Dunga: quem pisar na bola, terá de se explicar publicamente.

Entrosamento

 

Além de influenciar negativamente o clima do grupo, o corte de Maicon traz consequências para a escalação do time. Dunga vai escalar o jovem Danilo na direita.

 

Além disso, a contusão de David Luiz, que sofreu uma lesão no joelho esquerdo, vai obrigá-lo a escolher entre Gil e Marquinhos na zaga.

 

Ou seja ele terá uma defesa improvisada, o que considera perigoso para enfrentar o rápido ataque do Equador.

 

A exemplo do que aconteceu contra a Colômbia, o técnico valoriza o resultado final.

O restante da equipe deve ser mantido, como o próprio treinador revelou após o jogo contra a Colômbia. “Vamos manter uma base para dar tranquilidade aos jogadores que estão chegando, para que se sintam mais à vontade”, disse.

Embora o ataque tenha evoluído, com maior movimentação, a equipe mostrou problemas na criação e deu espaços para o rival. São essas lições de casa do treinador, além de provar que ainda é o velho Dunga.