Publicado 07 de Setembro de 2014 - 1h50

Foto: Arquivo pessoal

Eduardo Gregori

Eduardo Gregori

Voar, principalmente para quem tem estatura um pouco acima da média, ou está além do peso ideal, está mais difícil. Tenho recebido e-mails de vários leitores reclamando que, apesar das aeronaves estarem ficando cada dia maiores, o espaço e conforto internos têm deteriorado a passos largos. Confesso que, em minhas últimas viagens, me senti um pouco como uma sardinha enlatada. A última foi pior. Para se ter uma ideia, não havia espaço para abrir a bandeja caso a poltrona da frente estivesse reclinada. Nem mesmo era possível assistir a um filme com o assento na mesma posição. O que se via eram vultos, como em um filme em negativo.É muito desagradável pedir ao passageiro da frente para voltar seu encosto na posição vertical, só porque você quer comer. E se a pessoa estiver dormindo, ou cansada? Ela não tem obrigação nenhuma. O que fazer? Ficar sem comer ou bancar o chato, esperando que o outro entenda sua situação? Quanto ao filme, simplesmente desisti. Coloquei meus fones de ouvido e apreciei uma seleção erudita no meu iPod.

 

Outro dia perguntei a um executivo de uma grande companhia aérea porque os aviões modernos estão tão espremidos. A resposta foi pelo lado mais fácil, deixando o custo operacional como o grande vilão da história. É claro que os preços das passagens estão mais competitivos e baratos. Então, para bancar custos operacionais, combustível, manutenção, salários da tripulação e ainda baixar o preço da passagem, as companhias aéreas precisam colocar o maior número de pessoas possível dentro de uma aeronave. E não há outra maneira de criar espaço para poltronas do que apertando as pessoas. Muita gente tem medo, mas prefiro voar em uma aeronave velha e que, normalmente, tem mais espaço, do que em uma novíssima, porém, apertada. Troco sem pestanejar a tomada para celular por mais espaço e um pouco de conforto. Não há nada pior que passar 10, 12 horas apertado. Imagine chegar a uma cidade tão deslumbrante quanto Paris com o corpo dolorido e aquela sensação de ter passado por um moedor de carne. A saída de emergência era a única salvação, mas essa opção também já está sendo capitalizada pelas companhias aéreas e não custa pouco.

 

O cenário, infelizmente, não é nada promissor. Algumas companhias aéreas europeias de baixo custo encomendaram há algum tempo estudos para saber se é possível viajar de pé em trechos mais curtos. Parece que querem transformar uma aeronave em um ônibus lotado e sem bancos, ou talvez bancos para quem queira pagar mais pelo “conforto”. Uma coisa é certa, daqui para frente, quem quiser o mínimo de conforto, terá de colocar a mão no bolso, seja no assento conforto da econômica ou mudando para uma classe superior. Para quem não pode se dar ao luxo, o jeito é viajar no sufoco.

 

Eduardo Gregori é editor de Turismo do Correio Popular