Publicado 08 de Setembro de 2014 - 9h42

brickmann

Cedoc/RAC

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Abacate dá tomate

e vai virar limão

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Como disse o governo federal, em 30 de maio, a Copa iria ajudar o PIB do Brasil a ser maior. Como disse o governo federal, em 29 de agosto, a Copa tem parte da culpa pelo PIB negativo. Em ambos os casos, o porta-voz foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele, que está no cargo há oito anos, sob Lula e sob Dilma, certamente sabe o que fala: fala aquilo que a presidente o manda falar.

 

 

Faz parte. O que é bom a gente conta, o que é ruim a gente esconde. Mas justamente Dilma acusa Marina de mudar de opinião? Pois é — e tem razão. Marina odiava o agronegócio e, há poucos meses, impediu a aliança de Eduardo Campos com Ronaldo Caiado.

Marina ama o agronegócio e seu vice é Beto Albuquerque, um Caiado gaúcho. Marina amou o PT, rompeu com o PT, e seu marido foi secretário do governo petista do Acre até uns dias atrás. Saiu quando descobriram.

Só Aécio é coerente? Sim: Aécio faz apenas o que acha bom para ele. Largou Serra e Alckmin sozinhos, hoje adoraria tê-los a seu lado. Amava Eduardo Campos de paixão, ambos jovens, amigos; foi gentil com Marina até que ela o atropelasse nas pesquisas. Agora acusa Marina, a sucessora de Eduardo, de plagiar programas do PSDB — como se algum partido tivesse programa. Há aecistas que chamam Marina de melancia: verde por fora, vermelha por dentro. Só falta acusá-la (e nisso teriam razão) de querer ocupar o espaço tucano em cima do muro.

Faz sentido? Não. Refazenda também não faz e foi um tremendo sucesso de Gilberto Gil — sim, Gil, aquele que foi ministro de Lula e hoje apoia Marina.

 

 

 

[TITULINHO]Como é o nome dela?

[/TITULINHO]Dilma esteve em Pernambuco para buscar os votos que tinha nos tempos em que era aliada de Eduardo Campos. Foi uma viagem esquisitíssima: a convocação do PT nem citava o nome da presidente (“Hoje é dia de vermelho; tem Lula em Petrolina”). A música-tema era o Lula-lá, composta por Hilton Acióli para a campanha de Lula em 1989. Nenhum jingle de Dilma nem da campanha atual.

[TITULINHO]Números, números, números

[/TITULINHO]Para quem acredita que pesquisa é anabolizante de candidaturas, dose dupla: na terça, devem sair os novos levantamentos do Datafolha e da CNT/MDA sobre as eleições presidenciais. Encerrada a fase de beatificação de Eduardo Campos, após o acidente, será possível medir com mais precisão quem tem o que em termos de intenções de voto, e quais as perspectivas de evolução dos candidatos.

[TITULINHO]Foi, mas não é

[/TITULINHO]Um dos principais adversários do atual governo petista é um petista tradicional, dos tempos de criação do partido, militante, ativista: o professor Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras. Sauer critica Lula e Dilma por aceitar indicações de partidos para cargos técnicos apenas para ganhar apoio; diz que o argumento de Dilma, de que apoiou a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras por basear-se num resumo mal feito, é “piada”; e lembra que Dilma “procura um culpado sempre que acontece um problema”. Sauer, respeitadíssimo na área energética, diz também que o relacionamento entre o pessoal técnico da Petrobras e a presidente é tenso. Sauer é um adversário perigoso para o governo petista porque não faz acusações: só conta como as coisas funcionam.

[TITULINHO]Inverno quente

[/TITULINHO]As investigações do Congresso estão paralisadas porque todo o Congresso está paralisado, com Suas Excelências dedicando-se exclusivamente à campanha eleitoral. Mas as investigações da Polícia Federal na Operação Lava Jato, tendo como centro Alberto Youssef, acusado de ser doleiro e de promover lavagem de dinheiro, continuam a avançar. O leque dos envolvidos ainda está se ampliando.

[TITULINHO]Comentando

[/TITULINHO]Notícia da coluna de Ancelmo Gois (www.oglobo.com.br/ancelmo) em O Globo, sob o título Salve ele: “O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, esteve no fim de semana com Antônio Cândido, de 96 anos. Ficou impressionado com a disposição e a memória do grande crítico literário”. Ancelmo nada disse a respeito da impressão de Antônio Cândido sobre a disposição, a memória e outras características do prefeito Fernando Haddad.

[TITULINHO]O nome do

fenômeno

[/TITULINHO]Do jeito que a coisa vai, a candidata sonhática Marina Silva já pode lançar seu novo slogan: “Chega de intermediários. Para presidente, pastor Silas Malafaia”.