Publicado 06 de Setembro de 2014 - 5h00

A longa estiagem prejudicou o desempenho nas lavouras e antecipou o fim da safra

Cristiano Diehi Neto

A longa estiagem prejudicou o desempenho nas lavouras e antecipou o fim da safra

A baixa produtividade nas lavouras de cana-de-açúcar, causada principalmente pela falta de chuva, é responsável pelo fim da safra antecipada em 70% das usinas da região de Piracicaba.

De acordo com o presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), Arnaldo Antonio Bortoletto, o fim das atividades geralmente ocorre na segunda quinzena de novembro. “Mas, duas ou três usinas de médio porte já encerraram a safra”.

Ainda segundo Bortoletto, a usina Costa Pinto é uma das poucas que devem finalizar a atividade na primeira quinzena de novembro. Já a Santa Helena, também de grande porte, encerra as atividades ainda neste mês.

Na região, composta por 70 municípios, são 17 unidades. As que vão encerrar as atividades antes afirmam que foram afetadas pela longa estiagem, que prejudicou o desempenho nas lavouras. Consequentemente, por causa do baixo desenvolvimento das plantações, as previsões são revistas.

“A expectativa de moagem da cana era de 10 milhões de tonelada no início da safra, a exemplo do ano anterior. No começo da seca, levantamentos apontavam quebra de 12% da produção. Agora, a queda deve ficar entre 20% e 25%. Não devemos ter mais de oito milhões de toneladas na região”, afirma Bortoletto.

De acordo com relatório da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a estimativa de moagem de cana para a atual safra na região centro-sul (que inclui a área de Piracicaba) é de 545,89 milhões de toneladas, uma queda de 5,88% em relação à estimativa inicial, de 580 milhões de tonelada. A safra anterior atingiu 597,06 milhões de tonelada.

Quebra

Bortoletto conta que a quebra da safra ocorre em momento delicado para o setor, que vê aumento expressivo nos custos de produção ao mesmo tempo em que os valores do etanol e do açúcar não reagem. Situação, segundo ele, relacionada à ausência de políticas públicas para a atividade.

“A economia mostra que quando há alta produtividade os preços caem. Quando a oferta cai, os valores aumentam. Mas, atualmente, isto não ocorre. O preço não reage porque o valor do etanol está diretamente relacionado ao da gasolina. Além disso, o mercado externo está com excesso de açúcar”, diz.

“Este é um preço político. Sabemos que após as eleições deve ocorrer uma equalização. Hoje, a gasolina é vendida com valor inferior calculado em torno de 20%. Isto porque conta com subsídio do governo. Nos últimos cinco anos, o reajuste do combustível ficou na ordem de 13%. Se analisarmos a inflação do período, ela ficou muito acima disto”, acrescenta.

Segundo a Unica, a quebra da safra em São Paulo deve atingir 11,7%. A estimativa da entidade é que sejam processadas 324,43 milhões de toneladas de cana no Estado, ante 367,45 milhões da safra 2013/14.