Publicado 08 de Setembro de 2014 - 22h53

Por Zeza Amaral

ZEZA

CEDOC

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É quase uma heresia falar de futebol quando um novo escândalo político é jogado na nossa cara, uma bola quadrada, um passe errado, um lateral batido pra fora. Vergonha na arquibancada. Vergonha nacional. Mais uma.

E o Brasil segue altaneiro: desclassificou a Argentina no basquetebol; ganhou da mesma Argentina no futebol de salão (não aceito futsal); ganhamos de Cuba no vôlei; e por um a zero ganhamos da Colômbia em um jogo pra lá de um sonolento amistoso caça-níquel promovido pela Confederação Brasileira de Futebol.

Ainda me pesa na vergonha da alma, lá no mais fundo de um copo de pinga barata, os sete a um que levamos da Alemanha. O país do futebol é uma vergonha planetária. Maicon foi cortado da seleção e Dunga não explica o motivo. Não há mais transparência para o distinto torcedor. Não há mais nada em que acreditar. Tudo é, como sempre, nebuloso, tudo em véus, tudo escondido, acoitado, para que os bons sejam acreditados como os mocinhos do filme e os maus, os bandidos de sempre.

Futebol não deveria se emporcalhar como a política que trouxe uma Copa do Mundo para ganhar a credibilidade de nós que somos eleitores. Somos um país de confortáveis estádios e de péssima infraestrutura socioeconômica, aeroportos mal acabados, busões velhos, metrôs insuficientes, e com as mesmas carências nas áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública. E perdemos de sete a um para a Alemanha.

Poderia ser pior, é claro, mas quem poderia prever o Petrolão? E os sete a um até que ficou barato diante dessa barbaridade corrupta que se derramou pelo nosso país. Quanta vergonha, meu Deus!

CBF, Maicon, Dunga, sete a um, tudo é um lixo empresarial que teima ir para o ralo da História. Felipão está no chimarrão e segue a vida, na boa vida, como ele mesmo já disse. E os sete a um não é apenas um jogo perdido de futebol. É uma vergonha ácida que vai corroer os ferros e cimentos das arquibancadas do futebol brasileiro. Ferrugem moral.

Passo pelo Largo do Rosário, sempre árido, e um morador de rua me pede uma moeda. É jovem e anda como um velho alquebrado. Não tem futuro algum. Apenas pede uma moeda e agradece os 25 centavos. Crack ou pinga, sei lá. Mas ele veste uma camisa da seleção, dez nas costas, sem nome de jogador. Ele subiu a Glicério gingando pra lá e pra cá, assim como se fosse um ponta direita que não sabe mais o caminho da lateral...

Hoje, pelo visto, vai ser um dia em que um filho chora e a mãe não vê. E isso também não fará a menor diferença para quem não tem um pingo de vergonha na cara. Enfim, bom mesmo é voltar pra casa e abraçar a Nega Veia, que vai me beijar, abraçar e me dar um cafuné de esperança. E infeliz é Deus que não tem alguém a lhe esperar...

Escrito por:

Zeza Amaral