Publicado 29 de Setembro de 2014 - 5h00

Por Sarah Brito

Açude em fazenda na área de preservação ambiental em Sousas; consórcio busca alternativas para a região

Cedoc/ RAC

Açude em fazenda na área de preservação ambiental em Sousas; consórcio busca alternativas para a região

Mapeamento de fontes alternativas de água feito pelo Consórcio Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), identificou na região de Campinas ao menos 10 reservatórios de água na zona rural da cidade, próximos aos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, com potencial de uso da água para abastecimento.

O estudo foi feito entre agosto e setembro pelo órgão, com imagens de satélite e um sobrevôo pelo Interior do Estado de São Paulo e identificou 58 reservatórios — pequenos barramentos em rios, afluentes ou riachos.

 

Segundo o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, Guilherme Amstalden, não há ainda informação da qualidade ou quantidade de água nos reservatórios encontrados.

O relatório com a informação sobre a localização dos reservatórios foi repassado para as Prefeituras e autarquias responsáveis pela distribuição de água dos municípios.

 

Amstalden afirmou que, além de Campinas, cidades que fazem divisa também poderão se beneficiar. Entre elas estão Paulínia, Vinhedo e Valinhos.

 

Na sexta-feira, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa) informou que ainda não recebeu a informação.

O consórcio verificará se os reservatórios possuem registro — ou outorga — de utilização. A maior parte deles fica em áreas particulares.

 

Alguns podem ter sido construídos há décadas, como no início do século passado, para uso no cultivo de café.

Cavas

O estudo também identificou cavas de mineração — escavação a céu aberto em forma de um enorme buraco, com degraus de extração de minerais — para abastecimento de água.

 

Foram 62 cavas encontradas, mas ficou constatado que em 50% não havia água com possibilidade de uso.

 

Na região de Campinas, foram identificadas quatro cavas de mineração, mas elas estavam, ou em funcionamento, ou sem água disponível.

O estudo foi disponibilizado aos 43 municípios e 30 empresas consorciadas.

 

O Consórcio PCJ informou que a transposição destas reservas de água para as estações de tratamento, rios e represas que abastecem os municípios das Bacias PCJ poderá ser feita através de um sistema de bombeamento com a utilização de tubulações temporárias de sistema de engate rápido ou permanentes de diversos materiais (alumínio, aço e tubos de polietileno).

 

O recurso hídrico das cavas de mineração terá ainda de passar por análises químicas para verificar a possibilidade de consumo humano. O uso de explosivos para auxiliar a retirada do minério pode deixar resíduos na água.

A informação é que seriam até 2 metros cúbicos por segundo de água bombeados dos encanamentos das cavas de mineração — equivalente a metade do que é captado em média por dia em Campinas, que retira do Rio Atibaia 4 metros cúbicos por segundo.

As cavas com potencial para utilização de água ficam na parte alta da bacia, onde estão os municípios de Bragança Paulista, Atibaia e Piracaia, e na baixa, em Piracicaba, Rio Claro, Cordeirópolis e Saltinho, duas cidades que já usam as fontes alternativas de abastecimento.

 

Em Saltinho, inclusive, onde a crise hídrica tem efeitos graves, um açude foi estudado como alternativa.

O fornecimento de água é um dos mais severos da região, com abastecimento das 16h às 19h diariamente, para amenizar a situação crítica da estiagem.

 

Veja também

Escrito por:

Sarah Brito