Publicado 10 de Setembro de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Trânsito na Francisco Glicério, avenida central que terá calçadas ampliadas, perderá uma pista e terá toda a sua fiação enterrada, segundo projeto

Elcio Alves

Trânsito na Francisco Glicério, avenida central que terá calçadas ampliadas, perderá uma pista e terá toda a sua fiação enterrada, segundo projeto

As obras para a implantação da nova Avenida Francisco Glicério começarão em janeiro, com a previsão de estarem concluídas no final de 2015, informou o secretário de Desenvolvimento Econômico e Social, Samuel Rossilho, nesta terça-feira (9).

 

O custo de implantação, que deve ser divulgado na quinta-feira (11) pela Prefeitura, será bancado por recursos privados que virão de um pool de empresas e de verbas de compensações firmadas em termos de ajuste de conduta para regularização de empreendimentos com o governo.

A principal avenida de Campinas terá um conjunto de regras para a despoluição visual, toda a fiação será enterrada, a calçada do lado esquerdo ganhará dois metros e com isso a rua vai perder uma faixa de trânsito, que hoje é usada para estacionamento.

 

Rossilho disse que a Administração conseguiu fechar um acordo com as concessionárias de serviços que utilizam a Glicério para que cada uma arque com os custos das obras. A CPFL Energia assumirá a iluminação, as empresas de telefonia (são cerca de 20) assumirão o custo do enterramento dos fios, a Comgás fará as adequações necessárias na rede de gás, enquanto a Informática dos Municípios Associados (IMA) adequará a rede digital e a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) ficará com os custos das mudanças nas redes de água e esgoto

 

A Prefeitura arcará com os custos da implantação da nova calçada — que será em concreto com desenhos de andorinhas feitos em mosaico português — e da rede de águas pluviais. “As verbas para isso virão de TACs que firmaremos até o final do ano com empresas que estão regularizando empreendimentos na cidade. Não vamos usar compensações já definidas para outras áreas. Vamos usar novos TACs”, afirmou Rossilho.

 

O uso de compensações por obras aprovadas em projetos de interesse da Prefeitura já está ocorrendo em Campinas, para financiamento dos projetos estrutural e eletromecânico da reforma do Centro de Convivência Cultural — nesse caso, as empresas Rossi e Cristais Prados estão utilizando os recursos definidos em compensações para contratar os projetos.

Acessibilidade

O projeto de revitalização do Centro propõe uma requalificação dessa região, com preferência ao pedestre e mais acessibilidade. Assim, todo o mobiliário urbano, que será renovado, será instalado na calçada ampliada do lado esquerdo da Glicério e as estações de embarque no transporte coletivo ficarão à direita.

 

A avenida vai ganhar um paisagismo, com árvores e floreiras que funcionará também como ordenador do espaço, além de iluminação e segurança mais eficientes, limpeza das fachadas, respeito ao patrimônio histórico e valorização da arte urbana

 

O comércio instalado na avenida irá arcar apenas com os custos das ligações de água, luz, telefonia da rede subterrânea aos estabelecimentos. O projeto de revitalização do Centro, elaborado pela arquiteta Maria Rita Amoroso, foi doado à Prefeitura pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). As intervenções na Glicério ocorrerão no trecho entre as avenidas Orosimbo Maia e Aquidabã e funcionarão como um piloto de um projeto maior que irá abranger, no futuro, todo o Centro Histórico.

Sem licitação

Depois da Glicério, a Avenida Campos Salles passará por intervenções, seguindo o mesmo modelo de calçamento, de publicidade e de enterramento da fiação. O modelo de financiamento das obras, disse o secretário, irá evitar a necessidade de licitação e garantir a implantação total do projeto. A Administração quer evitar o que ocorreu há quatro anos na Campos Salles, cuja remodelação das calçadas ficou comprometida porque não teve a adesão do comércio. A mudança do piso ficou pela metade. A reformulação deveria ocorrer em parceria com o consórcio Urbcamp e os comerciantes. O consórcio faria a remodelação dos pontos de ônibus, com novos abrigos, piso podotátil, rampas acessíveis, nova comunicação visual e os comerciantes fariam a remodelação das calçadas da Campos Salles e Francisco Glicério, dividindo os custos entre eles, mas não deu certo, porque alguns comerciantes não quiseram dividir os custos. Assim, a remodelação ocorreu apenas nos pontos de ônibus.

 

Escrito por:

Maria Teresa Costa