Publicado 08 de Setembro de 2014 - 21h20

Por Bruno Bacchetti

Candidatos a deputados estadual e federal apresentam parcial de gastos

Gustavo Tilio/Especial para a AAN

Candidatos a deputados estadual e federal apresentam parcial de gastos

Os candidatos a deputados estadual e federal da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão investindo pesado para cativar o eleitor.

 

De acordo com a segunda prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os concorrentes a um cargo público da região gastaram R$ 10,9 milhões desde o início da campanha, em julho.

 

A maioria das despesas foi com material como cavaletes, placas, faixas, santinhos e pagamento de cabos eleitorais.

 

 

O valor das receitas arrecadadas pelos candidatos é semelhante às despesas e totaliza R$ 10,5 milhões. O montante tem origem em doações de pessoas físicas, jurídicas e dos próprios partidos e coligações.

 

Segundo o especialista em marketing político João Miras, o sistema eleitoral do País obriga o candidato a gastos elevados, uma vez que é preciso fazer campanha em todo o Estado.

 

Miras defende uma reforma política e a adoção do voto distrital misto, que aproximaria o candidato do seu eleitor. "A mudança qualificaria as eleições. Estamos vivendo um momento singular na política e estou vendo candidatos com dificuldade para obter recursos e apostando nas redes sociais" , analisa Miras.

 

O especialista acredita, no entanto, que o valor investido pelos candidatos deve ser maior que o declarado. 

 

Maior gasto

 

O recordista de gastos entre os candidatos da região é Gustavo Petta (PCdoB), postulante a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ele desembolsou R$ 1,324 milhão, a maior parte com pagamento de funcionários que trabalham na campanha, material impresso e combustível.

 

Os gastos do comunista são mais de quatro vezes superiores ao arrecadado por ele (R$ 383,7 mil).

 

Na sequência as maiores despesas declaradas são do deputado federal e candidato

à reeleição Paulo Freire (PR), com R$ 1,276 milhão, e do candidato a deputado estadual Angelo Perugini (PT), que já desembolsou R$ 853,5 mil.

 

Contrastando com os gastos milionários, alguns candidatos fazem campanha modesta e informaram ao TSE gastos irrisórios.

 

Dois exemplos são os candidatos a deputado estadual Marcelo Jorge (PV) e Roberta Merlo (PV), cujas despesas somaram apenas R$ 48,10 e R$ 210, respectivamente.

 

Outros 35 postulantes da RMC entregaram a segunda parcial de prestação de contas sem lançamentos de despesas.

 

Para Miras, o poder econômico é decisivo para um candidato sair vitorioso nas eleições. Em um partido grande, ele calcula ser necessário investimento de aproximadamente R$ 400 mil para um candidato a deputado estadual ser eleito. "Do jeito que está, o poderio econômico é decisivo. Calculo ser necessário gastar cerca de R$ 10 por voto. Um partido como o PMDB, por exemplo, será necessário 70 mil votos para ser eleito, o que corresponde a pelo menos R$ 350 mil", explica.

 

De acordo com a Lei das Eleições, a prestação de contas final deve ser entregue até 4 de novembro, 30 dias após as eleições.

 

A legislação também prevê que a ausência de prestação de contas parcial caracteriza grave omissão de informação, que poderá repercutir na regularidade das contas finais.

Escrito por:

Bruno Bacchetti