Publicado 06 de Setembro de 2014 - 8h48

Por Da Agência Anhanguera

Pedestres atravessam a Avenida Francisco Glicério, no coração do Centro de Campinas

Elcio Alves/ AAN

Pedestres atravessam a Avenida Francisco Glicério, no coração do Centro de Campinas

O projeto de revitalização do Centro de Campinas, que será anunciado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) na próxima quinta-feira (11), terá como principal foco de intervenção a Avenida Francisco Glicério.

 

Uma das principais ações será o alargamento da calçada em um dos lados da via, em cerca de dois metros, eliminando uma das pistas.

 

Nesse espaço serão instaladas as bancas que hoje tomam o espaço da calçada e restringem a acessibilidade.

 

Outra iniciativa será o enterramento da fiação aérea, que deixa o Centro feio. Essas medidas, já anunciadas, virão acompanhadas de instalação de iluminação LED, incentivo à recuperação das fachadas dos imóveis e a despoluição visual.

 

Serão intervenções que implicarão na mudança do calçamento, na colocação de sinalização sonora nos cruzamentos e na repaginação visual.

As obras serão feitas no trecho entre a Orosimbo Maia e Aquidabã e devem começar pelo aterramento dos fios da rede de energia elétrica.

 

A Administração fez encontros com técnicos da CPFL e aguarda a conclusão de um estudo que irá mostrar prazos de execução da obra e custos.

A Glicério será o piloto do que Jonas pretende para o Centro Histórico: fiação subterrânea, calçadas acessíveis, mobiliário urbano remodelado e visibilidade ao patrimônio cultural.

 

O custo das intervenções na avenida não foram divulgados, mas precisará da participação da iniciativa privada.

Acessibilidade

Uma das novidades do projeto de revitalização a ser anunciado é a inclusão da Rua Thomaz Alves.

 

A Administração vai utilizar uma emenda parlamentar de R$ 300 mil para remodelar a calçada da via e torná-la vitrine de um projeto maior, ainda sem prazo de implantação, que pretende tornar as ruas do entorno dos prédios públicos acessíveis às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A acessibilidade será o mote do projeto de revitalização do Centro, o que significa eliminar as barreiras que impedem a locomoção das pessoas.

 

glicério, revitalização, centro, campinas

 

Embora esteja agendada divulgação do plano para quinta-feira, a comissão de planejamento nomeada pelo prefeito para “promover a valorização do patrimônio cultural e arquitetônico e resgatar a convivência cultural, artística e turística dessa região” ainda está fazendo o levantamento dos projetos de intervenção no Centro existentes dentro da Prefeitura, nas diversas secretarias.

A remodelação da Thomaz Alves implicará, segundo a secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Emmanuelle Alkmin Leão, na desobstrução da calçada e troca de piso.

 

O atual será substituído por um piso intertravado podotátil — em que os deficientes visuais podem se orientar —, rampas acessíveis e nova comunicação visual. Calçadas assim também estarão na Glicério.

Com essa intervenção, disse, as pessoas poderão ir da Unidade de Pronto-Atendimento da Avenida Anchieta até a Glicério por calçadas acessíveis.

 

“Como não há condições de fazermos isso em toda a cidade, por causa do custo, vamos buscar pelo menos dar condições de acesso às pessoas com mobilidade limitada aos próprios públicos”, afirmou.

Um levantamento georreferenciado da população com deficiência e mobilidade restrita está sendo realizado para que a Prefeitura possa saber onde estão, para onde se deslocam e priorizar as intervenções.

Atualmente, disse a secretária, obras que estão sendo realizadas na cidade tem passado por avaliação prévia da secretaria, em relação aos acessos. “Os centros de saúde do bairro San Martin e da Rua Padre Vieira já têm esse conceito de acessibilidade implantado e queremos fazer isso em toda a cidade.”

Nesse projeto, a Prefeitura vai custear a intervenção, para evitar o que ocorreu na Avenida Campos Salles, cuja remodelação das calçadas ficou comprometida porque não teve a adesão do comércio. A mudança do piso ficou pela metade. A reformulação deveria ocorrer em parceria com o consórcio Urbcamp e os comerciantes.

O consórcio faria a remodelação dos pontos de ônibus, com novos abrigos, piso podotátil, rampas acessíveis, nova comunicação visual e os comerciantes fariam a remodelação das calçadas da Campos Salles e Francisco Glicério, dividindo os custos entre eles.

 

Mas não deu certo, porque alguns comerciantes não quiseram dividir os custos. Assim, a remodelação ocorreu apenas nos pontos de ônibus.

 

Segurança

 

Para o consultor em planejamento urbano, Cândido da Silva Santos, as revitalizações de centros urbanos exigem mais que alargamento de uma calçada ou enterramento de fiação.

 

“É essencial um olhar atento para estimular as pessoas a frequentarem esses espaços, especialmente à noite. Durante o dia, em geral, os centros são muito dinâmicos, mas morrem à noite, tornando perigoso o espaço. Investir na cultura, em atividades que levem as pessoas a voltar a frequentar as regiões centrais à noite é essencial. Deixá-lo bonito será uma consequência da exigência dos frequentadores”, afirmou.

 

Procurado ontem, o prefeito Jonas Donizette (PSB) não atendeu o Correio. 

O secretário de Comunicação, Guilherme Fabrini, informou que o projeto será apresentado na próxima semana e os detalhes ainda estão sendo fechados. 

 

Veja também

Escrito por:

Da Agência Anhanguera