Publicado 05 de Setembro de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

cantareira, represas, rio, atibaia, campinas, estiagem, seca

Rodrigo Zanotto/ Especial para a AAN

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O Sistema Cantareira voltou a reduzir nesta quinta-feira (4) a descarga de água no Atibaia, de 3 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 2m3/s, após a chuva ter aumentado a vazão do rio na quarta-feira. A redução é parte de um acordo entre o governo do Estado e a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) de Campinas que estipulou que, toda vez que a vazão em Campinas ficasse abaixo dos 5m3/s, mais água seria liberada para evitar o racionamento. Depois de chegar a uma vazão de 13m3/s na quarta-feira, quatro vezes maior do que vinha registrando no último mês, o Atibaia começou a baixar e ontem chegou a marcar 8,53m3/s às 10h20.

A pouca chuva do dia nos reservatórios também fez baixar o volume de água armazenada no Sistema Cantareira, depois de dois dias de interrupção de queda. As represas operaram ontem com 10,6% da capacidade, usando exclusivamente a água que está no fundo dos reservatórios, abaixo dos níveis operacionais, o chamado volume morto.

 

Desde maio, o abastecimento em parte do Estado passou a depender dessa reserva técnica. Com o reforço, os 182,5 bilhões de litros de água elevaram, na época, o total armazenado para 982,07 bilhões de litros. O Cantareira, responsável pelo abastecumento de 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo e de cidades das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, sofre a maior falta de chuva de sua história.

 

A situação crítica levou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Sabesp) a solicitar à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) autorização para ampliar a retirada de água da reserva técnica. Apesar de não haver necessidade de bombeamento adicional, segundo a Sabesp, a medida preventiva é para dispor de mais 106 bilhões de litros de água da reserva, especificamente da Represa Jaguari/Jacareí.

 

A manobra visa atender exclusivamente a Grande São Paulo, porque o que é volume morto para a Bacia do Alto Tietê por estar abaixo dos túneis de captação da Sabesp, é volume útil para as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Segundo o Daee, essa água é liberada para as Bacias PCJ — nos rios Jaguari e Atibaia — por meio das válvulas ou comportas instaladas no fundo das represas.

 

Depois de usar o volume morto do Cantareira, a alternativa de abastecimento que o governo do Estado pretende lançar mão é ligar as represas Jaguari, que fica em Igaratá e é parte da Bacia do Rio Paraíba do Sul, à Atibainha, em Nazaré Paulista, nas Bacias PCJ, distantes 15 quilômetros. As discussões sobre essa alternativa estão praticamente paradas.

 

A obra, com custo estimado de cerca de R$ 300 milhões, levaria até 14 meses para ser concluída. O projeto prevê mão dupla no transporte de água — quando o Cantareira estiver armazenando menos de 35% de sua capacidade, será trazida água da Represa Jaguari e, quando estiver acima de 75%, a água será bombeada da Atibainha para a Jaguari. 

Escrito por:

Maria Teresa Costa